MarIA: a Inteligência Artificial criada por uma engenheira brasileira

Engenheira brasileira Karen Salim, criadora da MarIA

No contexto atual, com diversos tipos de Inteligências Artificiais (IA) em alta, modificando as dinâmicas vivenciadas no cotidiano, já pensou em ter uma IA como assistente para facilitar e otimizar as suas tarefas diárias e, assim, poder dar conta de outros setores da sua vida? Traduzir e-mails, realizar compras, avisar de reuniões, monitorar quais sãos os conteúdos que as crianças consomem nas redes, contabilizar os produtos que são vendidos e até sugerir estratégias de investimentos. Sim, é possível! 

A MarIA é a Inteligência Artificial criada pela engenheira eletricista Karen Salim, brasileira baseada em Paris, CEO da empresa MSolutions e especialista em Inteligência Artificial, para melhorar a sua qualidade de vida e otimizar funções operacionais do dia a dia. Formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ela pesquisa a área desde 2006, quando seu orientador propôs diversas metodologias existentes mas que ainda não eram muito divulgadas. 

“Antes da OpenAI, inteligência artificial era um tabu. O ChatGPT fez um favor imenso, pois educou a população do que a IA era capaz de fazer. Hoje as pessoas não têm resistência, têm curiosidade”, comenta Karen, que é doutora pela Universidade de São Paulo (USP).

A criação surgiu como a resposta ao desafio de equilibrar a vida pessoal e profissional. A engenheira é mãe de duas filhas e teve dificuldades em enfrentar a diferença de fuso horário quando se mudou para a França e a quantidade de trabalho que aumentava proporcionalmente com o crescimento de sua empresa. A IA começou como um chatbot que apenas interagia com os seus contatos no WhatsApp, mas ao longo de seu desenvolvimento, tornou-se uma assistente completa. 

Pode parecer alguma cena do desenho dos Jetson, com a sua robô que cuida da casa, ou até mesmo um episódio da minissérie Cassandra, que mescla ficção científica, terror e suspense psicológico, com a assistente pessoal que controla todos áreas da vida dos moradores, porém é mais um avanço concreto da tecnologia. 

Na Coordenação dos Programas de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da UFRJ, onde deu aulas, Karen trabalhava com sistemas de potência, e já usava programação – vocação que a levaria no futuro próximo para a IA. Matemática e programação são, segundo ela, duas habilidades necessárias para realizar uma criação em IA, além das específicas, a depender do objetivo e das características do robô.

Karen explicou que existem cinco níveis de consciência em inteligências artificiais. Sua empresa, MSolutions, comercializa robôs de níveis 2 e 3. A MarIA é nível 4 em consciência, mas ainda não está à venda. Seus projetos atendem tanto à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) brasileira quanto à  General Data Protection Regulation, da União Europeia. “Bolamos uma infraestrutura na nossa empresa que é como uma caixa em que colocamos a piscina de dados do cliente, criptografamos e dá uma segurança maior. É custoso, é caro, não é toda empresa que faz isso. Os dados dos nossos clientes não se misturam com dados de treinamentos mundiais”.

A engenheira enxerga a inteligência artificial como um marco tal como foi a internet. “As pessoas tinham receio e curiosidade e de repente todos usavam. Acho que em pouco tempo a IA vai estar integrada 100% no nosso dia a dia. Todos os sistemas que a gente não vê já estão usando IA. Os sistemas vão ficar mais autônomos. As pessoas vão dar pequenas tomadas de decisão para a IA. Temos de nos preocupar um pouco com ética e segurança o uso, com golpes de voz, por exemplo. Mas, em um curto prazo, não vai ser nada como ficção científica”.

vFontes: Confea e Exame

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