Dia Mundial da Reciclagem

No dia 17 de maio, é celebrado o Dia Mundial da Reciclagem. A data, instituída pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), tem como objetivo conscientizar a sociedade sobre a importância da reciclagem para a manutenção da sustentabilidade, como o descarte correto dos resíduos, construção de hábitos de consumo pensados para a qualidade do meio ambiente e reutilização de matérias que seriam desperdiçadas. 

Segundo a Lei n° 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, a reciclagem é o processo de transformação dos resíduos sólidos que envolve a alteração de suas propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas, com vistas à transformação em insumos ou novos produtos, observadas as condições e os padrões estabelecidos pelos órgãos competentes. Assim, a prática de reciclar combate também a poluição, tanto do ar quanto do solo, diminuindo a exposição a gases tóxicos, como o metano e o CO2, e materiais particulados, prejudiciais à saúde humana. 

E para além dos efeitos na saúde, a degradação do meio ambiente por resíduos podem causar a destruição de habitats naturais e a perda da biodiversidade, levando ao aumento da disseminação de doenças transmitidas por animais, como a malária, a dengue e a febre amarela. A contaminação de solos agrícolas e recursos hídricos tem impacto direto na segurança alimentar e nutricional da população. 

No Brasil, apenas 4% de 82 milhões de toneladas de lixo produzidas é reciclado, segundo o levantamento feito pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema) com dados do  Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) de 2023. Com o baixo índice de reciclagem, muito abaixo de países de mesma faixa de renda e grau de desenvolvimento econômico, como Chile, Argentina, África do Sul e Turquia, que apresentam média de 16% de reciclagem, segundo dados da International Solid Waste Association (ISWA), os resíduos sólidos recebem, em sua maioria a destinação errada. 

Na pesquisa realizada pelo Ministério das Cidades, mostra que 14,3% dos descartes ainda são enviados para lixões e 11,9% para aterros controlados, locais onde o lixo é disposto com cobertura de solo, mas sem que haja impermeabilização do solo ou sistema de tratamento dos gases e do chorume dispensados. Ambas as formas são consideradas irregulares para o tratamento do lixo. 

Reciclagem e a economia

A reciclagem é também uma fonte de renda: dados divulgados pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o Brasil perde R$14 bilhões por ano com a falta de reciclagem adequada do lixo. São cerca de 12 milhões de toneladas de resíduos sólidos que, ao invés de gerar emprego e renda, acabam sendo descartados no meio ambiente. 

Os catadores de materiais recicláveis somam mais de 20 milhões de pessoas no mundo, sendo cerca de 4 milhões na América Latina e mais de 800 mil no Brasil. Eles coletam 58% dos plásticos, abastecendo a cadeia produtiva e diminuindo a poluição, contribuindo para a economia de recursos naturais, a vida útil dos aterros sanitários, a diminuição de poluentes, a limpeza das cidades e a saúde pública. A reciclagem é fonte de trabalho e renda para a população e, quando organizados coletivamente, catadores atuam em associações e cooperativas autogestionárias e solidárias. Porém, a categoria é constantemente desvalorizada e invisibilizada. 

Uma das alternativas apresentadas para lidar com a quantidade de resíduos gerados no país é a incineração. No entanto, ela compete com a reciclagem e compromete a geração de trabalho e renda dos catadores. A reciclagem reduz as emissões 25 vezes mais do que a incineração. A incineração se enquadra dentro do princípio da economia linear, gera poucos postos de trabalho e destroi a matéria-prima. Por outro lado, a reciclagem é economia circular, gerando postos de trabalho e renda para trabalhadores excluídos.

Como descartar de forma correta os resíduos: 

– Resíduos recicláveis: conhecidos popularmente como lixo seco, os resíduos recicláveis são compostos por itens limpos e secos feitos de papel, plástico, vidro ou metal. Ou seja, uma garrafa PET de refrigerante é um item reciclável, desde que seja limpa e seca. Não é necessário limpar algum produto de limpeza em específico, mas passar uma água e depois deixar todos os itens recicláveis para secar é fundamental. Entram nesta categoria embalagens de alimentos industrializados, revistas, latinhas, embalagens plásticas de shampoo, sacolas plásticas, papelão, tampinhas e outros. 

– Resíduos orgânicos: quase metade dos resíduos produzidos em casa são orgânicos, sejam estes restos de comida, como talos, cascas e bagaços. Quando este tipo de resíduo vai para a lixeira comum, ele chega ao aterro sanitário, onde gera metano, um gás 23 vezes mais poluente que o CO2. A forma é diminuir o desperdício alimentar e transformar resíduos orgânicos em adubo por meio de compostagem. 

– Resíduos especiais: são resíduos que não são recicláveis, mas que também não podem ser direcionados para o lixo comum porque envolve algum tipo de risco em seu manuseio, sendo necessário levar para um local especializado para o descarte. Assim, pilhas, baterias e eletrônicos que possuem metais pesados, são ideais para serem levadas para um Ponto de Entrega Voluntária (PEV); lâmpadas que possuem gases tóxicos e medicamentos, este sendo descartado em farmácias ou em postos de saúde. 

– Rejeitos: é o que não é possível reciclar e nem compostar, o que neste caso vai para o aterro sanitário, mas que corresponde a apenas 10% dos resíduos produzidos em casa. Nesta categoria entram papéis higiênicos usados, fraldas descartáveis, absorventes, camisinhas e até mesmo resíduos muito sujos ou contaminados para serem reciclados, como lata de tinta e pote de vidro com resto de esmalte. 

Cores da coleta seletiva

Sendo um meio facilitador de descarte nos centros urbanos, as lixeiras dispostas em espaços públicos ajudam no destaque do correto descarte dos materiais e incentivam os cidadãos a contribuir para os caminhos de uma vida mais equilibrada. As cores e seus respectivos significados são: 

  • Amarelo: para metais
  • Azul: papéis e papelões
  • Vermelho: plásticos
  • Verde: vidros
  • Preto: madeiras
  • Laranja: pilhas e baterias 
  • Marrom: lixo orgânico
  • Roxo: lixo radioativo
  • Branco: lixo hospitalar
  • Cinza: resíduos sólidos que não são recicláveis

Fontes: Abrema; Agência Gov e WWF

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