Palácio Gustavo Capanema celebra 80 anos de história e reabre ao público, após 10 anos fechado

Após uma década fechado e seis anos de obras de restauração, o Palácio Gustavo Capanema, localizado no centro do Rio de Janeiro, será reaberto ao público nesta terça-feira, 20 de maio. A data marca também os 80 anos de inauguração deste que é considerado um marco da arquitetura modernista brasileira e um símbolo da cultura nacional.

O edifício, originalmente projetado para abrigar o então Ministério da Educação e Saúde Pública, foi concebido por uma equipe liderada por Lúcio Costa, com participação de Oscar Niemeyer (à época ainda um jovem arquiteto), Carlos Leão, Affonso Eduardo Reidy, Jorge Machado Moreira e Ernani Vasconcellos. A consultoria internacional ficou a cargo de Le Corbusier, referência do modernismo na Europa. Entre os artistas que contribuíram para sua concepção estão nomes consagrados como Cândido Portinari, Alberto Guignard, Pancetti, Bruno Giorgi, além dos jardins suspensos idealizados por Roberto Burle Marx.

Salões do Palácio Gustavo Capanema, no centro do Rio de Janeiro Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O Palácio Gustavo Capanema foi construído entre 1936 e 1945 e é considerado o primeiro prédio modernista da América Latina. O edifício introduziu inovações importantes para a arquitetura brasileira, como o uso de pilotis, fachada envidraçada, brise-soleils (quebra-sóis), planta livre e integração de arte e arquitetura, todos princípios do modernismo difundidos por Le Corbusier. As fachadas adornadas com azulejos de Portinari e a harmonia entre os elementos artísticos e arquitetônicos fazem do prédio uma referência internacional.

Restauração e modernização

A reabertura do palácio é resultado de um amplo processo de restauração iniciado em 2019, com investimento de R$ 84,3 milhões do Governo Federal, por meio do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A obra incluiu a atualização das redes elétrica, hidráulica, de combate a incêndio e telecomunicações, além da recuperação de obras de arte, mobiliário e elementos arquitetônicos históricos.

Os tradicionais brise-soleils de amianto, por exemplo, estão sendo substituídos por réplicas em fibra de vidro, garantindo maior segurança sem alterar o projeto original. O edifício ocupa uma área de 27.536 m² e sua recuperação foi realizada respeitando rigorosamente as diretrizes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), uma das instituições que agora ocupará o espaço.

Novo uso e acesso ao público

Com a reabertura, cerca de 60% do palácio será destinado a atividades culturais, incluindo exposições, apresentações artísticas, oficinas e eventos. O prédio também volta a abrigar uma biblioteca com mais de 100 mil itens e inaugura um café no jardim suspenso do 16º andar, com vista panorâmica para o centro do Rio. Os demais 40% serão ocupados por órgãos vinculados ao Ministério da Cultura: Iphan, Funarte, Ibram e Fundação Casa de Rui Barbosa.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou que a reabertura do Palácio Capanema representa um momento simbólico de valorização da cultura, da memória e do patrimônio brasileiro. A cerimônia de reinauguração contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Diante de sua relevância histórica e arquitetônica, o governo federal planeja submeter o Palácio Gustavo Capanema à candidatura de Patrimônio Mundial da Unesco. O prédio já é tombado pelo Iphan desde 1994 e também pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) e pelo município do Rio de Janeiro.

Quem foi Gustavo Capanema?
Gustavo Capanema, político brasileiro, em Belo Horizonte, 1932

Gustavo Capanema Filho (1900–1985) foi um político, intelectual e gestor público brasileiro, cuja atuação teve papel central na institucionalização da cultura e da educação no país durante o século XX. Assumiu o Ministério da Educação e Saúde Pública em julho de 1934, durante o governo de Getúlio Vargas, e permaneceu no cargo até 1945, tornando-se o ministro mais longevo da história da pasta.

Durante sua gestão, promoveu importantes reformas educacionais e políticas culturais. Foi responsável pela criação do 

Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 1937, com o objetivo de preservar o patrimônio cultural brasileiro. Além disso, Capanema incentivou a

criação da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e do Serviço Nacional de Teatro, em 1937, visando ao desenvolvimento e à promoção das artes cênicas no país.

Capanema cercou-se de importantes nomes da cultura brasileira, como Carlos Drummond de Andrade, que foi seu chefe de gabinete, Mário de Andrade, Villa-Lobos, Cândido Portinari e Sérgio Buarque de Holanda. Essa aproximação com os modernistas permitiu a implementação de políticas culturais inovadoras e a integração das artes nas ações do Estado. Após deixar o ministério, continuou sua carreira política como deputado federal por Minas Gerais em diversas legislaturas entre 1946 e 1971, e como senador entre 1971 e 1978. 

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