
A professora e engenheira ambiental Anna Virgínia Muniz Machado, do Laboratório de Gestão Ambiental da Universidade Federal Fluminense (UFF) destacou os principais desafios para se cumprir o ODS 6, Objetivo de Desenvolvimento Sustentável, proposto pela ONU para garantir a disponibilidade e a gestão sustentável de água e saneamento para todos as pessoas até 2030: adoção de tecnologias com menor consumo de água e uma busca cada vez maior da redução de perdas e desperdícios. Anna foi uma das conferencistas do painel “Saneamento: Inovações e Sustentabilidade”, moderado pelo presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (CREA-RJ), engenheiro Miguel Fernández, na tarde de terça-feira, dia 7, na 80ª Semana Oficial de Engenharia e Agronomia (SOEA), que reúne dez mil profissionais do Sistema Confea/Crea em Vitória (ES) desde segunda-feira passada.
“Sem água não há vida, mas não vai chegar uma água nova e sim a mesma água de bilhões de anos. A água é um recurso finito e fundamental para a vida para a sustentação do ecossistema e da atividade econômica”, disse a professora Anna Machado.
Também participaram do painel, realizado no Auditório Caboclo Bernardo, no Pavilhão Carapina, o presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), seção Rio, Renato Lima do Espírito Santo; a diretora da ABES/RJ, Mickaela Midon da Paixão, coordenadora do programa Jovens Profissionais do Saneamento (JPS) e coordenador do Programa Mulher do CREA-RJ; e Diego Rubstem Tinoco, consultor em relações governamentais da Abcon, a Associação e Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto, que reúne as empresas responsáveis por atender 85% dos municípios brasileiros com serviços privados de água e esgoto.
O moderador, Miguel Fernández, agradeceu aos painelistas, lembrando que historicamente o setor de água e saneamento era considerado o “patinho feio” da área de infraestrutura até surgir a ideia do novo marco regulatório, que pretende universalizar os serviços até 2033. “De cinco anos para cá o setor vem ganhando protagonismo”, observou Fernández.
Ao lembrar que “cada molécula de água existe há bilhões de anos no planeta”, a professora Anna Machado falou da importância do “novo conceito de integridade da água, que dialoga com os ODS e compliance das instituições”. O conceito engloba a garantia da saúde dos ecossistemas aquáticos, o acesso equitativo e sustentável à água para todos e a segurança no uso e gestão dos recursos hídricos. Segundo os especialistas no tema, a integridade da água é um pilar para atingir o ODS 6, que visa garantir a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos. Parece utopia, mas não é. Na UFF já foi criada até a disciplina Integridade da Água, que tem promovido a integração de diversos cursos de graduação e de pós-graduação.
A professora Anna Machado apresentou cases de sucesso na gestão dos recursos hídricos, como o Aquapolo, que fornece água de reuso para o polo petroquímico de Capuava, localizado em Mauá e Santo André (SP); os sistemas de abastecimento de água em comunidades rurais no Espírito Santo; e sistema integrado de saneamento rural (Sisar) no Ceará. O moderador, Miguel Fernández, complementou, dizendo que ainda há muita omissão do poder público na oferta de serviços de água e esgoto para as zonas rurais.
O presidente da ABES/RJ, engenheiro Renato Lima Espírito Santo, abordou o saneamento e a segurança hídrica diante dos desafios e inovações num cenário de mudanças climáticas. Ele destacou a importância do Sanear Rio, maior evento de água e saneamento do estado, que terá sua quarta edição no dia 29 deste mês. Ele destacou também a relevância do programa Jovens Profissionais do Saneamento, que já tem 500 inscritos. O programa é coordenado pela engenheira Mickaela Midon Paixão, que é assessora da presidência do CREA-RJ.
Em sua apresentação, Mickaela despertou a atenção dos jovens na plateia. Apesar de ter lembrado que tem havido grande redução de estudantes de engenharia no país, Mickaela destacou que o setor de saneamento atualmente é um dos que oferece mais oportunidades de trabalho e crescimento profissional.
“Uma excelente forma de se inserir no mercado é pela associação profissional. Participar das associações é hoje uma ótima porta de entrada dos profissionais na área do saneamento. Com o novo marco regulatório, há uma expansão de vagas para engenheiros especializados em saneamento”, afirmou Mickaela, que é engenheira ambiental.
O consultor da Abcon, Diego Tinoco, observou que um em cada três municípios brasileiros já tem saneamento privatizado. Ele lembrou que “o saneamento era visto como vital, mas não atraia o investimento do gestor público”. Com o novo marco regulatório, a situação mudou bastante. “Quase 70% dos domicílios brasileiros já têm saneamento básico e houve aumento de 21% na rede de água”, afirma Tinoco, esclarecendo que os desafios ainda são enormes, sobretudo para se levar água e saneamento às comunidades mais pobres.