
O Dia Nacional da Inovação é celebrado no Brasil em 19 de outubro, conforme instituído pelo Decreto nº 7.917, de 3 de março de 2013. A data foi escolhida em referência ao nascimento de Alberto Santos Dumont (1873-1932), inventor reconhecido internacionalmente e pioneiro da aviação. Sua trajetória é lembrada por ter representado o espírito de experimentação e de busca por novas soluções, características diretamente associadas ao conceito de inovação.
O objetivo da celebração é estimular a cultura da inovação no país, incentivando universidades, empresas, órgãos públicos e centros de pesquisa a desenvolverem novas tecnologias, produtos, processos e modelos de negócio que possam gerar benefícios sociais e econômicos. A inovação é entendida não apenas como invenção tecnológica, mas também como a aplicação prática de ideias capazes de melhorar a vida das pessoas, aumentar a competitividade das empresas e contribuir para o desenvolvimento sustentável.
Nos últimos anos, o Brasil tem buscado fortalecer políticas de apoio à inovação, como a Lei da Inovação (Lei nº 10.973/2004) e o Marco Legal das Startups (Lei Complementar nº 182/2021), que visam aproximar o setor produtivo do ambiente acadêmico e fomentar um ecossistema mais dinâmico. Nesse contexto, o Dia Nacional da Inovação funciona como um marco de reflexão e de incentivo para que o país amplie investimentos em ciência, tecnologia e pesquisa aplicada.
No Brasil, a inovação se manifesta em diferentes áreas estratégicas. Na agricultura, práticas como o uso de sensores para monitoramento de solo, drones para acompanhamento de lavouras e sistemas de irrigação automatizados têm sido aplicadas para tornar o manejo mais sustentável e reduzir desperdícios. No campo da saúde, destacam-se soluções em telemedicina e aplicativos de acompanhamento clínico, que ampliam o acesso de pacientes a atendimentos e informações. Já na energia renovável, o país investe em biocombustíveis e vem ampliando a presença de fontes como a eólica e a solar.
Outro setor em crescimento é o das startups, que se multiplicaram em cidades como São Paulo, Florianópolis e Recife, com iniciativas que vão de fintechs a plataformas educacionais. Segundo dados da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), o Brasil possui atualmente mais de 13 mil startups registradas, sendo considerado um dos maiores ecossistemas de inovação da América Latina.
Santos Dumont e seu papel na Inovação
Alberto Santos Dumont (1873–1932) nasceu no sítio Cabangu, município hoje chamado Santos Dumont, em Minas Gerais. Filho de um engenheiro e cafeicultor, desde cedo teve contato com máquinas e foi incentivado a estudar disciplinas como mecânica, eletricidade e física, tanto no Brasil quanto em Paris, onde se aprofundou no estudo de motores a combustão.
Sua trajetória de inovação começa com os dirigíveis motorizados a gás, aos quais dedicou-se intensamente e que lhe renderam reconhecimento internacional. Em 1901, com o dirigível nº 6, ele contornou a Torre Eiffel em menos de 30 minutos e voltou ao ponto de partida, conquistando o Prêmio Deutsch de la Meurthe, e doou o valor recebido entre sua equipe e moradores de Paris.
Em 1906, Santos Dumont deu um passo decisivo rumo ao moderno conceito de inovação aplicada: criou o 14-Bis, realizando em 23 de outubro o primeiro voo homologado na Europa de uma aeronave mais pesada que o ar, impulsionada apenas por seu próprio motor – um salto de cerca de 60 metros. Menos de um mês depois, em uma demonstração oficial com a presença da Federação Aeronáutica da França, voou impressionantes 220 metros, recebendo o prêmio do Aeroclub.
A inovação continuou com os avioes Demoiselle (1907–1909) — aeronaves leves, relativamente baratas e com planos disponibilizados gratuitamente. Esse modelo é muitas vezes considerado o primeiro avião a ser fabricado em escala e democratizou o acesso à aviação ao tornar os projetos amplamente reproduzíveis.
Diferentemente de muitos de seus contemporâneos, Santos Dumont optou por divulgar seus designs sem patentear, acreditando que a inovação deveria ser aberta e colaborativa, atitude que facilitou o avanço coletivo da aviação.
Além dos feitos técnicos, ele sempre realizou suas inovações em espaços públicos, como os voos do 14-Bis no campo de Bagatelle ou o dirigível ao redor da Torre Eiffel, o que não apenas validou suas criações diante de testemunhas e imprensa, como também inspirou o entusiasmo público pelo futuro da aviação.