Investimentos em infraestrutura e inovação são apontados pela ONU como essenciais para cumprir metas globais de desenvolvimento

O mundo precisa ampliar significativamente os investimentos destinados ao desenvolvimento sustentável para cumprir os compromissos assumidos na Agenda 2030. A avaliação consta do Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 2026, divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que estima um déficit anual de aproximadamente US$ 4 trilhões para financiar as ações necessárias ao alcance das metas globais. Segundo o documento, apesar dos avanços registrados em alguns indicadores desde a adoção da Agenda 2030, em 2015, o ritmo atual permanece insuficiente para atingir a maior parte dos objetivos dentro do prazo estabelecido. A ONU destaca que a redução desse déficit dependerá da ampliação dos investimentos públicos e privados, da cooperação internacional e do fortalecimento da capacidade de financiamento dos países em desenvolvimento. Grande parte das áreas consideradas prioritárias possui estreita relação com as atividades desempenhadas por profissionais da Engenharia, da Agronomia e das Geociências. O relatório aponta que a expansão da infraestrutura sustentável, o acesso universal à água potável e ao saneamento, a transição energética, a adaptação às mudanças climáticas, a segurança alimentar e a construção de cidades mais resilientes exigirão soluções técnicas, planejamento e inovação. A modernização da infraestrutura figura entre os principais desafios. A ONU ressalta que a ampliação do acesso à energia limpa, o fortalecimento dos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário, a melhoria da mobilidade urbana, a proteção contra eventos climáticos extremos e a expansão da conectividade digital são fatores determinantes para acelerar o desenvolvimento econômico e reduzir desigualdades. O relatório também enfatiza a necessidade de incorporar tecnologias capazes de aumentar a eficiência dos investimentos e reduzir impactos ambientais. Nesse contexto, ganham importância ferramentas como inteligência artificial, sensoriamento remoto, modelagem digital, sistemas de monitoramento em tempo real e soluções voltadas à economia circular, cuja aplicação depende da atuação integrada de diferentes especialidades técnicas. Outro ponto destacado é a adaptação das cidades às mudanças climáticas. A intensificação de enchentes, ondas de calor, secas e outros eventos extremos tem aumentado a necessidade de projetos de infraestrutura capazes de elevar a resiliência urbana. Obras de drenagem, contenção de encostas, proteção costeira, recuperação ambiental e planejamento territorial são apontadas como investimentos estratégicos para reduzir riscos e proteger a população. No setor agropecuário, a ONU indica que o aumento da produtividade deve ocorrer de forma compatível com a conservação dos recursos naturais. O uso racional da água, a recuperação de áreas degradadas, o manejo sustentável do solo e a adoção de tecnologias de precisão aparecem entre as medidas necessárias para fortalecer a segurança alimentar diante das mudanças climáticas. Além da ampliação dos investimentos, o documento destaca que a qualidade da gestão dos recursos será determinante para acelerar os resultados. O planejamento de longo prazo, a elaboração de projetos consistentes, a adoção de critérios técnicos e a integração entre governos, instituições de pesquisa, setor produtivo e organismos internacionais são apontados como fatores essenciais para ampliar a efetividade das políticas públicas. A publicação reforça que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável permanecem como referência para a formulação de políticas voltadas à erradicação da pobreza, à proteção ambiental e ao crescimento econômico inclusivo. Entre os 17 objetivos da Agenda 2030 estão temas como saúde, educação, água e saneamento, energia limpa, indústria, inovação, infraestrutura, cidades sustentáveis, ação climática e consumo responsável. Fonte: ONU