Museu Nacional celebra 208 anos com exposições que destacam ciência, memória e reconstrução

O Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) celebra o aniversário de seus 208 anos com a inauguração de duas exposições que apresentam ao público aspectos do trabalho científico desenvolvido pela instituição e refletem sobre o processo de reconstrução do edifício histórico, após o incêndio de 2018. As mostras foram abertas no Paço de São Cristóvão, na Quinta da Boa Vista, ocupando seis galerias do palácio que abriga o museu. A exposição Bastidores da Ciência reúne atividades que normalmente permanecem fora do olhar dos visitantes, destacando etapas de pesquisa, conservação, restauração e formação de acervos. O percurso apresenta diferentes técnicas e áreas de atuação relacionadas à produção científica, incluindo paleoarte, taxidermia, modelagem digital, ilustração científica e restauração arqueológica. A mostra também ressalta o trabalho realizado por pesquisadores, técnicos e especialistas envolvidos na preservação e no estudo das coleções do museu. Entre os elementos expostos estão instrumentos musicais produzidos a partir de madeiras recuperadas dos escombros do incêndio, transformando materiais remanescentes da tragédia em objetos que simbolizam o processo de reconstrução. Já a exposição Rescaldo das Memórias foi instalada na sala onde o incêndio teve início. O espaço reúne fotografias e esculturas produzidas pelo artista Vik Muniz a partir de cinzas e fragmentos resgatados após a destruição provocada pelo fogo. A proposta é promover reflexões sobre memória, perda e permanência, preservando também vestígios materiais do incêndio, como estruturas deformadas pelas altas temperaturas. As exposições integram um amplo processo de recuperação do Museu Nacional, considerado uma das mais importantes instituições científicas e culturais do país. A reconstrução, que já teve investimento de R$ 100 milhões do BNDES, envolve a participação de universidades, órgãos públicos, organismos internacionais e instituições parceiras, em uma mobilização voltada à recuperação do patrimônio histórico e científico da instituição. Além das exposições, a programação comemorativa dos 208 anos do Museu Nacional conta com mais de 40 atividades gratuitas voltadas ao público. Oficinas, visitas educativas, exibição de documentários, apresentações culturais, atividades científicas e uma feira gastronômica integraram as ações realizadas sob o tema “Ciência, Cultura e Memória”. As visitas são gratuitas, de terça a domingo, das 10h às 16h, com  última entrada às 15h30, sujeito à lotação!  Clique aqui para ingressos e mais informações.  Fonte: Museu Nacional

Dia Internacional das Mulheres na Engenharia

O Dia Internacional das Mulheres na Engenharia é comemorado anualmente em 23 de junho. A data foi instituída em 2014 pela Sociedade de Mulheres Engenheiras do Reino Unido (Women’s Engineering Society) e tem como objetivo celebrar a presença feminina na área, bem como incentivar o protagonismo no mercado de trabalho. Mesmo o Brasil carregando uma história de obstáculos para o crescimento das mulheres na Engenharia, elas vêm conseguindo conquistar aos poucos cada vez mais espaço na profissão. Segundo dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia — CONFEA, compilados por meio do Sistema CONFEA/CREA e MÚTUA, em 2025, 26% dos novos profissionais que se registraram no Sistema eram mulheres, um aumento de 6% em relação ao ano anterior. Embora os números representem progresso, os homens ainda dominam majoritariamente a profissão. De acordo com a mesma pesquisa divulgada pelo CONFEA, continuando no recorte do ano passado, dos 1,2 milhão de profissionais com registro ativo nas áreas da Engenharia no Brasil, pouco mais de 244 mil são mulheres, ou seja, cerca de 20,2%. Na área acadêmica, a formação de novas engenheiras em escala global também apresenta desafios de incentivo e valorização para essas profissões. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura — UNESCO, apenas 30% das mulheres na educação superior optam por cursos relacionados à Engenharia. Os motivos para a maior evasão feminina das universidades envolvem fatores financeiros, profissionais, questões pessoais associadas à saúde ou à maternidade e a insatisfação com o curso e o convívio com professores ou colegas. Pioneiras na Engenharia brasileira Edwiges Maria Becker Hom’meil: foi a primeira engenheira a se formar no Brasil, em 1917, na instituição que depois se tornaria a Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro — Poli/UFRJ. A carioca abriu caminho para que outras mulheres também pudessem trilhar suas próprias rotas no setor. Enedina Alves Marques: neta de escravizados, Enedina foi a primeira mulher negra a tornar-se engenheira no Brasil. Ela se graduou em Engenharia Civil na Universidade Federal do Paraná (UFPR, rompendo padrões acadêmicos e sociais impostos à época. Depois de formada, tornou-se responsável pelo planejamento para a construção da Usina Hidrelétrica Capivari-Cachoeira, obra que ampliou a oferta de água e luz para a capital, Curitiba.  Maria Luiza Soares Fontes: foi a primeira mulher a se formar em Engenharia Elétrica e Engenharia Mecânica no Brasil, pelo antigo Instituto Eletrotécnico de Itajubá, no estado de Minas Gerais, no ano de 1950. Ela recebeu o diploma diretamente de Juscelino Kubitscheck. Seu principal feito foi a padronização do Plano Postal dos Correios e Telégrafos, no Rio de Janeiro. Evelyna Bloem Souto: foi a única mulher da primeira turma do curso de Engenharia Civil da Universidade de São Paulo — USP, no campus de São Carlos, em 1957. Evelyna enfrentou diversas barreiras do preconceito contra a presença feminina na profissão em episódios por toda sua carreira. Um deles aconteceu durante sua bolsa de estudos em Paris, na França, quando fez uma visita a um túnel que estava sendo feito para ligar a França à Itália, e foi obrigada a se vestir com roupas masculinas e pintar um bigode em seu rosto.  Programa Mulher O Programa Mulher do CREA-RJ busca promover a equidade, aumentar a representatividade feminina e combater a violência contra a mulher nas áreas de Engenharia, Agronomia e Geociências. Por meio de campanhas, cursos técnicos e eventos de networking para o aprimoramento na área tecnológica, o Programa Mulher contribui diariamente para a inspiração, visibilidade e valorização da presença feminina nas Engenharias. A iniciativa foi criada pelo Sistema CONFEA/CREA e MÚTUA em 2019 e segue as diretrizes dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODS, especialmente o ODS nº 5 da Organização das Nações Unidas – ONU, que visa a alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas até 2030. Fonte: CONFEA, IT Forum, ONU