CREA-RJ questiona governo do estado sobre nomeação para a presidência do DER-RJ, um dos principais órgãos de engenharia do estado
A fiscalização do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ) enviou um ofício ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, cobrando esclarecimentos sobre a nomeação da atual presidente da Fundação Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ), a coronel PM Gabryela Reis Dantas, pelo governador em exercício, desembargador Ricardo Couto. A autarquia federal questiona se a escolha cumpre os requisitos técnicos exigidos pelo próprio regimento interno do órgão de infraestrutura. No documento, o CREA-RJ destaca que, com base em informações públicas disponíveis, não foi possível identificar a formação profissional da atual presidente, tampouco qualquer registro profissional compatível com a função. A nomeação desrespeita o artigo 89, inciso I, do Regimento Interno do DER-RJ, que determina expressamente que o cargo máximo do órgão deve ser exercido por um profissional graduado com diploma superior em Engenharia ou Arquitetura. Para fundamentar a cobrança, o conselho fluminense citou uma jurisprudência do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) baseada na Decisão Plenária nº PL-2286/2023. Na ocasião, o Confea estipulou que cargos de chefia no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) exigem obrigatoriamente habilitação e registro no CREA, devido à natureza das atividades de coordenação, fiscalização e supervisão de obras públicas. O CREA-RJ traçou um paralelo direto entre o DNIT e o DER-RJ, argumentando que a regra interna do departamento fluminense reflete justamente a preocupação em garantir que a liderança executiva possua formação técnica compatível com a complexidade das obras e serviços rodoviários do estado. O ofício, encaminhado à gestão do governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, encerra solicitando que o Palácio Guanabara informe oficialmente se a atual presidente atende aos critérios normativos previstos para o exercício do cargo.
Pesquisas em fusão nuclear avançam em busca de energia limpa e de alta capacidade

Produzir na Terra a mesma reação que alimenta o Sol há bilhões de anos deixou de ser apenas uma hipótese científica e passou a integrar uma das mais complexas frentes de pesquisa tecnológica da atualidade. Laboratórios, universidades e empresas de diversos países vêm registrando avanços relevantes no desenvolvimento da fusão nuclear, tecnologia apontada como uma possível fonte de energia limpa, segura e de grande capacidade para as próximas décadas. Diferentemente da fissão nuclear, utilizada atualmente em usinas nucleares, a fusão ocorre quando núcleos atômicos leves se unem para formar elementos mais pesados, liberando grandes quantidades de energia. O processo reproduz o fenômeno que acontece naturalmente no interior das estrelas e utiliza como combustível isótopos do hidrogênio, especialmente o deutério e o trítio. Para que a reação seja possível, é necessário aquecer o combustível a temperaturas superiores a 100 milhões de graus Celsius, formando um plasma altamente energético. Nessas condições extremas, o material não pode entrar em contato com estruturas físicas e precisa ser mantido suspenso por poderosos campos magnéticos dentro de reatores conhecidos como tokamaks. Os desafios tecnológicos envolvidos mobilizam diversas áreas da Engenharia e da pesquisa científica. O desenvolvimento dos reatores exige soluções avançadas em Engenharia Nuclear, Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica, Engenharia de Materiais, Automação, Computação e Instrumentação, responsáveis por sistemas de confinamento magnético, monitoramento em tempo real, controle de plasma e construção de componentes capazes de suportar condições extremas de operação. Nos últimos anos, projetos internacionais vêm alcançando resultados considerados importantes para a viabilidade futura da tecnologia. Na China, o reator experimental EAST estabeleceu novos recordes de sustentação de plasma, ampliando o tempo de operação estável em condições próximas às necessárias para futuras usinas comerciais. Os resultados servem de base para o desenvolvimento do BEST, projeto que deverá representar uma etapa intermediária entre os experimentos atuais e os primeiros reatores voltados à geração de eletricidade. Na França, avança a construção do ITER, maior empreendimento internacional dedicado à fusão nuclear. O projeto reúne dezenas de países e tem como objetivo demonstrar que a reação pode produzir mais energia do que consome em escala relevante. Embora não tenha finalidade comercial, o experimento é considerado um passo essencial para a futura implantação de usinas de fusão. Outros centros de pesquisa também vêm registrando progressos. O reator WEST, também localizado na França, e o KSTAR, da Coreia do Sul, alcançaram novos marcos na manutenção de plasma em altas temperaturas. Nos Estados Unidos, experimentos conduzidos pelo National Ignition Facility demonstraram resultados inéditos de ganho energético em laboratório, impulsionando investimentos públicos e privados no setor. O avanço das pesquisas estimulou ainda a participação de empresas de base tecnológica. Organizações voltadas ao desenvolvimento de reatores comerciais vêm recebendo bilhões de dólares em investimentos para acelerar a transição dos experimentos científicos para aplicações industriais e geração de energia em larga escala. O interesse global pela fusão nuclear está relacionado ao potencial da tecnologia para enfrentar dois desafios estratégicos do século XXI. O primeiro é a necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito estufa associadas à produção de energia. O segundo é atender ao crescimento da demanda energética mundial com fontes capazes de fornecer eletricidade de forma contínua e em grande volume. Além de não emitir dióxido de carbono durante a operação, a fusão produz quantidades significativamente menores de resíduos radioativos em comparação com a fissão nuclear convencional. O combustível utilizado também é considerado abundante, especialmente o deutério, que pode ser obtido a partir da água do mar. Apesar dos avanços, especialistas destacam que ainda há obstáculos importantes a serem superados. Entre eles estão o desenvolvimento de materiais resistentes ao intenso fluxo de partículas gerado pelas reações, a manutenção prolongada da estabilidade do plasma e a obtenção de um balanço energético favorável em condições operacionais contínuas. Embora a geração comercial de eletricidade por fusão nuclear ainda dependa de novas etapas de pesquisa e validação tecnológica, os resultados alcançados nos últimos anos indicam que a área avança de forma consistente. O tema passou a ocupar posição estratégica nos investimentos em ciência, tecnologia e inovação, reunindo esforços de governos, instituições de pesquisa e empresas que buscam transformar um dos maiores desafios da física moderna em uma nova fonte de energia para o futuro.