Naturgy debate cenário de gás natural e oportunidades com o biometano no RJ
Encontro reuniu especialistas do setor no Clube de Engenharia do Brasil e destacou potencial do GNV e da fonte renovável Responsável por 75% da produção nacional de gás natural, com volume diário de 137 milhões de m³, o Rio de Janeiro foi palco do evento “Gás natural e biometano no RJ: Oportunidades e perspectivas do setor”. Realizado em 14/5 no Clube de Engenharia do Brasil, o encontro reuniu especialistas para debater o cenário do gás natural, as fontes disponíveis no estado para a produção de biometano, as oportunidades econômicas e industriais com a transição energética e os aspectos regulatórios, ambientais e institucionais do setor. Leonardo Augusto Ribeiro, engenheiro mecânico e coordenador de GNV da Naturgy, destacou o projeto Corredores Sustentáveis, criado pela Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar do Rio de Janeiro, com o apoio da distribuidora. O objetivo é aumentar a oferta do produto nos postos de combustíveis das rodovias que ligam o Rio aos demais estados do Sudeste. Participaram ainda Fábio Viana, engenheiro civil e de segurança do trabalho com atuação nos setores de gás e biometano, e Gabriel Kropsch, empreendedor com longa trajetória em petróleo, gás natural e biometano. “Mais de 1.000 caminhões movidos a GNV já circulam diariamente nas estradas da região Sudeste. Ampliar o uso do GNV nesse segmento contribui para reduzir a emissão de gases de efeito estufa e a poluição sonora. Hoje já são 13 postos adaptados para abastecer um caminhão em até 15 minutos nos primeiros corredores implantados na Dutra e na Rodovia Washington Luís” afirmou Leonardo. A Naturgy está investindo, até 2027, R$ 300 milhões na infraestrutura necessária para criar 16 novos corredores. A companhia atua na expansão da utilização do combustível, apoiando ações como a redução do ICMS do GNV e isenção para caminhões de IPVA e de pedágios, além de parcerias com montadoras para ampliar a fabricação de caminhões a GNV. Acordo entre Naturgy e Petrobras beneficia 1,5 milhão de motoristas Com o acordo anunciado em 14/5, a redução média estimada para o preço do gás natural veicular (GNV) será de 6,5%, considerando a região metropolitana e o interior do estado. Mais de 1,5 milhão de motoristas serão beneficiados. O Rio de Janeiro concentra 39% dos postos de GNV do país. Leonardo Augusto informou que a Naturgy tem capacidade para atender rapidamente todas as 37 garagens de ônibus existentes na cidade do Rio de Janeiro.”Em termos de infraestrutura, todas as garagens de ônibus da cidade estão mapeadas e possuem capacidade de atendimento, o que possibilita a instalação de pontos de abastecimento”, ressaltou. Potencial do Biometano e Desafios de Infraestrutura Durante o debate, foi apontado que o biometano no Rio de Janeiro tem como principal fonte os resíduos sólidos urbanos e esgoto. O Brasil possui 19 plantas em operação, duas delas localizadas no RJ com grande capacidade de produção. O mercado está em crescimento acelerado, com um aumento projetado de praticamente 100% ao ano. As metas de descarbonização podem ampliar a demanda pelo combustível em até 15 vezes até 2035. Os debatedores reforçaram a importância da certificação do biometano para garantir a rastreabilidade e os atributos ambientais do combustível, o que pode influenciar preços, contratos e investimentos. Leonardo complementou afirmando que Naturgy acredita no potencial do biometano e está estudando cidades com potencial para sua integração à rede de gás. A empresa lançou este ano chamadas públicas para compra do produto nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Transformações no setor elétrico ampliam necessidade de inovação e Engenharia

A expansão da transição energética e a crescente complexidade dos sistemas de geração e distribuição de energia têm colocado a Engenharia no centro das discussões estratégicas sobre infraestrutura, desenvolvimento tecnológico e segurança energética. Em artigo publicado recentemente na CNN Brasil, o engenheiro Rogério Pereira de Camargo afirma que “a Engenharia voltou ao centro da corrida energética global”, em um cenário marcado pela necessidade de descarbonização, pelo aumento da demanda elétrica e pelas transformações tecnológicas que vêm redefinindo o setor energético mundial. Segundo ele, a atual conjuntura internacional exige soluções técnicas cada vez mais sofisticadas, capazes de integrar diferentes fontes de geração, ampliar a confiabilidade dos sistemas e responder aos desafios associados à segurança energética. “A transição energética é inevitável”, afirma ao destacar que o processo depende de planejamento estruturado, capacidade tecnológica e investimentos contínuos em inovação. O avanço das fontes renováveis, como solar e eólica, também amplia os desafios relacionados à transmissão, armazenamento e estabilidade do sistema elétrico, exigindo novos modelos operacionais e infraestrutura mais robusta. Nesse contexto, ganham importância áreas da Engenharia ligadas ao planejamento energético, sistemas elétricos, automação, infraestrutura, armazenamento de energia e integração tecnológica. O artigo chama atenção para a necessidade de valorização da formação técnica e do fortalecimento das universidades e centros de pesquisa. “Não há transição energética sem Engenharia”, ressalta Rogério Pereira de Camargo ao defender maior investimento em capacitação profissional, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico. No Brasil, o crescimento dos debates sobre expansão da matriz elétrica, segurança do abastecimento e modernização da infraestrutura energética acompanha uma tendência observada internacionalmente. Dados da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que a demanda global por eletricidade deverá crescer de forma acelerada nos próximos anos, impulsionada pela eletrificação da indústria, dos transportes e dos sistemas urbanos. O texto também alerta para a importância da capacidade tecnológica nacional no desenvolvimento do setor energético. Segundo o autor, a dependência excessiva de soluções externas pode comprometer a competitividade e a autonomia tecnológica do país em áreas consideradas estratégicas. Para especialistas do setor, a transição energética tende a ampliar ainda mais a demanda por profissionais qualificados e por soluções de Engenharia capazes de combinar eficiência, inovação, sustentabilidade e segurança operacional. Nesse cenário, empresas de Engenharia, universidades, centros tecnológicos e instituições de pesquisa passam a desempenhar papel cada vez mais relevante na construção das soluções necessárias para atender às demandas energéticas das próximas décadas. Fonte: CNN Brasil