Premiações institucionais fecham o CREA AQUI com motivação de quem faz a diferença

Com pompa e circunstância. Assim foi a última atividade do CREA AQUI antes da confraternização final. Para marcar a cerimônia, a abertura contou com a apresentação da Banda de Fuzileiros Navais da Marinha, que tocou os hinos Nacional e o oficial da cidade do Rio de Janeiro. Em seguida, teve início a solenidade de entrega das Premiações Institucionais do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA-RJ). O CREA Rio, ao longo dos anos, tem buscado destacar seus profissionais com premiações que valorizam as boas práticas, inovações e o compromisso ético no exercício das profissões. O objetivo, com isso, é expressar reconhecimento às personalidades, instituições e entidades que tenham se diferenciado por suas posições, ações e projetos em suas áreas de atuação. Prêmio CREA-RJ de Meio Ambiente A primeira premiação anunciada foi o Prêmio CREA-RJ de Meio Ambiente que, desde 1998, destaca projetos e atitudes em prol do meio ambiente e da qualidade de vida, homenageando pessoas, instituições e entidades que se sobressaem por seus projetos e atitudes voltadas para o meio ambiente e para a qualidade de vida da população. A premiação é dividida em duas categorias: pessoa jurídica e física. Na categoria pessoa jurídica, foram premiados o Programa Produtores de Água e Floresta (PAF) – Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Guandu; Projeto Trazendo Vidas e Reflorestamento – Edson José Monteiro – Crocodilo Dundee; Federação das Associações de Moradores do município do Rio de Janeiro (FAM-Rio) e o Projeto de Educação Ambiental (PEA) Rendas do Petróleo – Fundação Instituto de Administração (FIA) – Fundação Instituto de Administração (FIA). A coordenadora da Comissão de Meio Ambiente do CREA-RJ, do ano de 2025, engenheira agrônoma Débora Candeias, foi a responsável por realizar a entrega da premiação aos representantes das instituições agraciadas. Já na categoria pessoa física, recebeu o Prêmio CREA-RJ de Meio Ambiente o engenheiro civil Benito Piropo Da-Rin; o engenheiro civil Maurício Couto Cesar Junior; o engenheiro ambiental Namir Machado Jorge Júnior; o engenheiro civil Reginaldo Jardim Ferreira e a engenheira química Victoria Valli Braile. Os homenageados receberam a premiação das mãos do ex-presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), engenheiro civil Henrique Luduvice. Prêmio David de Azambuja do Mérito Florestal Em seguida, foi anunciado o Prêmio David de Azambuja do Mérito Florestal que reconhece engenheiros florestais, instituições de ensino e entidades de classe de profissionais da área que tenham se diferenciado por suas ações, trabalhos, estudos e projetos para a melhoria do desenvolvimento florestal e da preservação do patrimônio natural brasileiro. A premiação começou pela categoria post mortem, que homenageou o engenheiro florestal Ricardo Jaccoud da Silva Bonn, um dos fundadores do Programa Mutirão Reflorestamento, iniciativa vinculada à recomposição da cobertura florestal nas encostas e manguezais do município do Rio de Janeiro. O prêmio foi recebido pela viúva do homenageado, Vânia do Rosário Oliveira Bonn, das mãos da coordenadora da Câmara Especializada de Engenharia Florestal do CREA-RJ, do ano de 2026, a engenheira florestal Denise Baptista. Mudando para a categoria pessoa física, foi a vez do engenheiro florestal Flavio Pereira Telles ser chamado para receber o seu prêmio das mãos da presidente da Associação Profissional dos Engenheiros Florestais do Estado do Rio de Janeiro (Apeferj), engenheira florestal Michelle Ribeiro. Prêmio Johanna Döbereiner Na sequência, teve início a premiação Johanna Döbereiner, que reconhece personalidades, instituições e entidades que se destacaram por suas contribuições na Agronomia, promovendo o avanço e o desenvolvimento da área. Na categoria pessoa jurídica, a premiada foi a Embrapa Solos (centro de pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). A instituição foi representada por Daniel Vidal Pérez, chefe do órgão, que recebeu o prêmio das mãos do presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado do Rio de Janeiro (AEARJ), engenheiro agrônomo Leonardo da Costa Lopes. Na categoria pessoa física, o grande premiado foi o engenheiro agrônomo José Carlos Polidoro, secretário executivo do Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas e do Programa de Desenvolvimento Agropecuário e Agroindustrial Sustentável do Matopiba, do Ministério da Agricultura e da Pecuária. A honraria foi entregue pela coordenadora da Câmara Especializada de Agronomia do CREA-RJ, do ano de 2025, engenheira agrônoma Débora Candeias. Prêmio José Chacon de Assis Dando continuidade à cerimônia de premiação, teve início a entrega do Prêmio José Chacon de Assis, da Câmara Especializada de Engenharia Elétrica do CREA-RJ que reconhece, em vida, os profissionais que atuaram na Câmara e que se distinguiram por suas posições, ações e projetos na área. O grande premiado foi o engenheiro eletricista Luis Chiganer, ex-conselheiro do CREA-RJ, onde atuou de 2004 a 2007 na Câmara Especializada de Engenharia Elétrica. A entrega do prêmio foi feita pelo coordenador da Câmara Especializada de Engenharia Elétrica do CREA-RJ, do ano de 2025, engenheiro eletricista Luiz Antonio Cosenza e pelo diretor de benefícios e vice-presidente da Mútua – Caixa de Assistência dos Profissionais dos CREAs, engenheiro eletricista Evânio Nicoleit. 3º Prêmio Orlando Valverde do Mérito da Geografia CREA-RJ Mais um prêmio foi apresentado na sequência, dessa vez, trata-se do Orlando Valverde do Mérito da Geografia, que reconhece pessoas, instituições, entidades ou empresas que tenham se destacado por suas posições, ações, trabalhos, estudos e projetos voltados para o desenvolvimento da Geografia no Brasil. Foram agraciados com essa premiação os geógrafos Ana Maria de Paiva Macedo Brandão, Cláudio Antônio Gonçalves Egler e Miguel Ângelo Campos Ribeiro. Os prêmios foram entregues pelos também geógrafos Rafael Barros e Simone Garcia, coordenador e coordenadora-adjunta da Câmara Especializada de Agrimensura do CREA-RJ do ano de 2026. 2º Prêmio Luiz Henrique Guimarães Castiglione do Mérito da Cartografia CREA-RJ O Prêmio Luiz Henrique Guimarães Castiglione do Mérito da Cartografia é concedido como reconhecimento a profissionais da cartografia que tenham se destacado por suas ações, trabalhos, estudos e projetos em suas áreas de atuação. Neste ano, venceu a engenheira cartógrafa Miriam Mattos da Silva Barbuda, que coordenou a produção nacional do mapeamento censitário utilizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nos censos agropecuários de 2006 e 2017, na contagem populacional de 2007 e no censo demográfico
Palestra sobre a Ponte Rio-Niterói no CREA AQUI revela os bastidores da construção deste ícone da Engenharia Brasileira
O CREA AQUI foi palco de uma aula sobre a história, os desafios e o futuro da Engenharia Brasileira. Em uma palestra marcante, o engenheiro civil Carlos Henrique Siqueira — referência na construção da Ponte Rio-Niterói — compartilhou experiências que revelam não apenas a grandiosidade da obra, mas também os aprendizados técnicos e humanos acumulados ao longo de mais de cinco décadas. Acostumado a ministrar palestras e cursos em todo o Brasil e em diversos países do mundo, o engenheiro civil e professor Carlos Henrique Siqueira, que participou da construção da Ponte Rio-Niterói, ficou impressionado ao subir ao palco do CREA AQUI. “Confesso que nunca havia visto um público tão numeroso. Isso aumenta a minha responsabilidade, mas ao mesmo tempo é interessante porque a gente passa para a sociedade técnica brasileira muito mais sobre esta obra gigantesca que é a Ponte Rio-Niterói e que representa bem a Engenharia Brasileira”, disse, antes de iniciar a sua apresentação. Com 54 anos de trabalho na ponte, dois a mais do que a data da fundação desta obra de arte especial da Engenharia Nacional, Carlos encantou o público durante as duas horas em que ministrou a palestra técnica “Ponte Rio-Niterói – Referência Mundial em Manutenção de Grandes Estruturas”, lembrando diversas histórias dos bastidores da construção. Uma obra monumental Construída entre 1972 e 1973, sendo inaugurada em 1974, a Ponte Rio-Niterói mobilizou cerca de 200 engenheiros e 10 mil trabalhadores simultaneamente, tornando-se um dos maiores projetos de infraestrutura do país. Segundo Siqueira, mesmo décadas depois, a ponte segue entre as maiores do mundo — um símbolo do potencial da Engenharia Nacional. Mais do que números, o engenheiro destacou o orgulho coletivo envolvido na obra, que até hoje é considerada uma das maiores referências da Engenharia civil brasileira. Evolução da segurança Um dos pontos mais importantes da palestra foi a comparação entre as condições de trabalho da época e os padrões atuais. Siqueira relembrou que, durante a construção, não havia os equipamentos de proteção que hoje são obrigatórios, como capacetes e cintos de segurança. Mesmo com cerca de 40 mortes ao longo da obra, ele ressaltou que, proporcionalmente ao contingente de trabalhadores, que somavam 200 engenheiros e 10 mil operários trabalhando simultaneamente, os índices foram considerados baixos para a época. Ainda assim, o relato reforça o quanto a Engenharia evoluiu em termos de segurança do trabalho e responsabilidade social. Inovação estrutural Outro destaque foi a impressionante durabilidade da ponte. Projetada com concreto de alta qualidade e resistência a sulfatos, a estrutura ultrapassou os 50 anos com desempenho acima do esperado. Siqueira explicou que decisões técnicas adotadas na construção garantiram essa longevidade, reforçando a importância de planejamento, materiais adequados e visão de longo prazo em grandes obras de infraestrutura. Balanço da ponte Um dos episódios mais marcantes relatados foi o movimento da ponte causado por ventos fortes em 18 de agosto de 1980, quando a estrutura chegou a oscilar até 1,30 metro de amplitude, apavorando quem passava no local naquele momento. “Todo mundo parou o carro, alguns gritavam, outros vinham na contramão, outros vinham de marcha ré porque foi um susto naquela época. A partir daí a gente começou a estudar o que fazer para eliminar esse tipo de coisa. Nós fomos ao Canadá umas duas ou três vezes com laboratório de efeitos eólicos lá em Ottawa, e fizemos um estudo, um modelo reduzido da ponte na escala de 1 para 55 e verificamos o que é que tinha que fazer”, lembrou o engenheiro. A solução veio com a implementação de sistemas de Engenharia avançados, como os atenuadores dinâmicos sincronizados (TMD) — dispositivos que funcionam como amortecedores e reduziram a oscilação para cerca de 10 centímetros. O caso se tornou um exemplo clássico de como a Engenharia pode responder a desafios complexos com inovação e precisão técnica. Olhar para o futuro Mesmo em uma época em que o conceito de sustentabilidade ainda não era amplamente discutido, a obra já apresentava soluções eficientes, como o uso de formas metálicas em vez de madeira, reduzindo impactos ambientais. Além disso, Siqueira destacou iniciativas recentes de conscientização ambiental na ponte, como ações para evitar o descarte de resíduos na Baía de Guanabara durante eventos esportivos. Mobilidade urbana O engenheiro também chamou atenção para um ponto importante: os congestionamentos frequentemente atribuídos à ponte, na verdade, estão relacionados à infraestrutura urbana das cidades em seu entorno. A reflexão reforça a necessidade de pensar a mobilidade urbana de forma integrada, indo além das grandes estruturas. Manutenção Fundamental Encerrando sua apresentação, Siqueira deixou um recado direto: grandes obras exigem cuidados contínuos. Comparando a ponte a um “plano de saúde”, ele destacou que a manutenção é essencial para garantir a segurança e a durabilidade de qualquer estrutura. “A ponte é o maior símbolo da engenharia civil brasileira, sem sombra de dúvida, mas tem que ser mantida”, sublinhou. Legado A participação de Carlos Henrique Siqueira no CREA AQUI reforça o papel do evento como espaço de troca de conhecimento, valorização profissional e discussão sobre os rumos da Engenharia, Agronomia e Geociências. Mais do que relembrar o passado, a palestra mostrou que o futuro da Engenharia depende de inovação, responsabilidade e aprendizado contínuo — pilares que seguem sustentando as grandes obras do país. Assista à palestra e Carlos Henrique Siqueira na íntegra em nosso canal no YouTube, a partir da minutagem 5:50:00.