IV Workshop Por Elas debate na sede do CREA-RJ a atuação das geocientistas no cenário das mudanças climáticas

Com o objetivo de colocar em evidência o papel das geocientistas frente às mudanças climáticas e os impactos que elas causam na sociedade, bem como fortalecer a presença dessas profissionais no futuro sustentável do planeta, o Núcleo Rio da Associação Brasileira de Mulheres nas Geociências (ABMGeo-RJ), com apoio do CREA-RJ por meio do Programa Mulher, promoveu o IV Workshop Por Elas. O evento foi realizado no dia 14 de novembro de 2025, das 8h30 às 18h30, na sede do Conselho, no Centro do Rio, e trouxe como tema a “Atuação das Geocientistas no Cenário das Mudanças Climáticas”, buscando também ampliar o diálogo entre profissionais, estudantes e instituições. A mesa de abertura foi composta pela a diretora da ABMGeo -RJ, geóloga Jéssica Tiné; a integrante da diretoria da ABMGeo – RJ, geóloga Aline Pimentel; a pesquisadora e professora de Geofísica da UFRRJ/ON Suze Guimarães; e a inspetora especial do CREA-RJ e integrante do comitê gestor do Programa CREA Mulher, geóloga Ariadne Senna. Durante a introdução do encontro, Jéssica Tiné reforçou o papel da ABMGeo-RJ. “O que engrandece o evento são as associações colocando mulheres para falarem como é ser mulher no meio acadêmico e técnico. E eu acho que um dos objetivos da ABMGeo é mostrar que nós temos pesquisa, trabalho e não precisamos ser chamadas apenas para apresentações sobre ser mulher, que ignoram todas as capacitações e desempenhos profissionais.” Na primeira palestra do dia, a pesquisadora da SisBaHia/UFRJ, oceanógrafa Lidiane Lima, apresentou o tema “Geociência e Gestão Integrada na Adaptação a Eventos Extremos”, onde explicou o papel das geocientistas na atualidade. “Nós estamos sendo cada vez mais postos à prova diante dos eventos de mudanças climáticas. E com isso, a gente começa a ver uma maior vulnerabilidade das cidades e territórios afetados, e não apenas a suscetibilidade, já conhecida por profissionais de nossa área. E onde entra a geociência nesses casos? Seja como oceanógrafa, meteorologista ou geólogo, temos ferramentas fundamentais para colaborar com a adaptação às variações que as mudanças climáticas estão trazendo para nosso dia a dia.” A coordenadora de cidades resilientes da Subsecretaria de Mudanças do Clima e Conservação da Biodiversidade (SEAS-RJ), geóloga Aline Freitas, abordou as “Estratégias de Adaptação e Resiliência para o Enfrentamento às Mudanças Climáticas”, alertando sobre os impactos dos relevos no cenário atual. “A gente tem que lembrar que as construções das cidades foram feitas em cima dos diferentes tipos de relevo. Com isso, é preciso compreender como funciona a interação planeta e sociedade. E muitas das vezes o que a gente enxerga justamente nas grandes cidades é que essa ocupação ocorre de forma desordenada, criando os riscos que acabam culminando nos desastres.” O presidente do CREA-RJ, engenheiro civil Miguel Fernández, esteve presente no IV Workshop Por Elas e destacou a importância do evento. “Atualmente, a disparidade da presença masculina em relação à feminina no nosso setor já é bem menor do que 50 anos atrás, graças ao trabalho de mulheres que desbravaram as profissões durante as décadas e transformaram essa realidade. O indicativo hoje, com menos de cinco anos de formado, é de um total de 36% de mulheres presentes no Conselho, aproximadamente 1/3. O número ainda está abaixo do censo populacional, mas ações como essa ajudam a promover o crescimento da atuação feminina nesse cenário. Pela manhã, também houve a realização das palestras “Memórias do Oceano: O que o Passado Geológico nos Diz sobre o Futuro do Clima” e “Meteorologia Operacional no Cenário das Mudanças Climáticas”. Os temas foram apresentados, respectivamente, pela professora titular do Departamento de Geologia e Geofísica da UFF Ana Albuquerque, e pela meteorologista chefe do Alerta Rio, Raquel Franco. Na parte da tarde, a especialista em clima e mudanças climáticas do Climatempo, meteorologista Marcely Sondermann, falou sobre as “Mudanças Climáticas e a Transição Energética: Riscos e Oportunidades”, pontuando o papel do planejamento energético.  “O planejamento energético facilita não apenas a previsão do tempo, mas também a previsão climática. Por isso é preciso sempre considerar se vamos ter verões mais chuvosos ou secos e como ficará a distribuição de chuva, por exemplo. Então é muito importante que a gente entenda como vai ficar essa previsão para os próximos meses e a tendência nas décadas seguintes, para que se tenha um melhor planejamento energético.” Na última apresentação do evento, o tema “Geociências em Movimento: Pluralidade, Liderança, e Perspectivas Globais Frente às Mudanças Climáticas” foi debatido em uma mesa redonda, que contou com a presença da meteorologista da Defesa CIvil de Maricá, Christiane Nascimento; a coordenadora de Geologia e monitoramento da GEO-RIO, Raquel Batista Medeiros; a bióloga e doutorando da UFF, Maria Júlia de Castro; e a engenheira da Defesa Civil de Petrópolis, Raquel de Mesquita Favaro.  A programação também contou com a entrega de kits de participação no evento às palestrantes, e o sorteio de brindes para a plateia presente no auditório.