Presidente do CREA-RJ afirma que quedas nas calçadas aumentam gastos na saúde pública

Ao participar da mesa da audiência pública “Calçadas do Rio: realidade, desafios e soluções”, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (CREA-RJ), engenheiro Miguel Fernández, ressaltou que o problema deveria mobilizar o poder público e toda a sociedade, pois “os acidentes nas calçadas representam hoje o maior custo indireto em termos de mobilidade na saúde pública”. O presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara, vereador Pedro Duarte (Novo), que promoveu a audiência pública, confirmou a informação dada pelo presidente do CREA. Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Mestrado em Engenharia Urbana também pela UFRJ, o presidente do CREA-RJ afirmou também que as pedras portuguesas compõem atualmente o calçamento mais caro e de maior risco para a população carioca. Esta informação foi corroborada pelo presidente do Conselho Empresarial do Ecossistema da Longevidade da Associação Comercial do Rio de Janeiro, o português Carlos Molina. Ele afirmou que até em Lisboa – a origem das pedras portuguesas – esse tipo de calçamento está sendo substituído por outros mais seguros e mais viáveis economicamente. Molina defende que a Comissão de Assuntos Urbanos atue no sentido de aprovar uma lei que padronize as calçadas do Rio de Janeiro e defenda a obrigatoriedade do registro de quedas nas calçadas nas UPAS e em hospitais públicos.  O presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara municipal, vereador Pedro Duarte, apresentou o resultado de levantamento feito pela Comissão junto ao serviço 1746, da prefeitura do Rio, que constatou entre janeiro de 2023 e junho deste ano mais de 35 mil pedidos de reparos em calçadas, cujos principais problemas são buracos e obstrução à passagem de pedestres.  A Zona Norte do Rio concentra a maioria das queixas. A Comissão fez pelo Instagram um concurso da pior calçada do Rio. Ganhou a Rua Mário Piragibe, em Lins de Vasconcelos, seguida da Estrada do Barro Vermelho, em Colégio, e da Rua Cosme Velho, no bairro do mesmo nome, na Zona Sul do Rio. “É crescente a denúncia do mau estado de conservação das calçadas do Rio, como a falta de acessibilidade e acidentes causados por buracos e obstáculos”, afirmou o vereador, lembrando que atualmente há mais de 20 normas para regulamentar a construção e manutenção de calçadas. Segundo o vereador, um dos maiores desafios é estabelecer a responsabilidade pela manutenção deste espaço público. Embora as leis municipais determinem que a calçada seja de responsabilidade do dono da edificação em frente, o bem é público. “De quem é a responsabilidade?”, indagou o vereador. Depois de parabenizar a Comissão de Assuntos Urbanos, o engenheiro Miguel Fernández defendeu que a legislação precisa ser modificada, pois o problema pertence à coletividade. O presidente do CREA defendeu também a criação de um sistema unificado de registro das ações das concessionárias nas ruas para que se reduza o impacto dos reparos na qualidade das pistas e dos calçamentos. “É preciso se legislar também sobre o subsolo”, afirma o engenheiro. Fernández concorda com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, que há 15 anos criou o programa Calçada Acessível que já chegou a 50 municípios e defende a padronização das calçadas em todo o estado. O vereador Pedro Duarte exibiu um vídeo do case de Teresópolis, onde o programa Calçada Acessível, da Firjan, implantou um piso intertravado com espaço tátil amarelo para ajudar pessoas com deficiência física. A arquiteta Regina Cohen, membro da Comissão Temporária de Acessibilidade e Mobilidade Urbana do CAU/RJ e integrante do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, ressaltou que a falta de acessibilidade nas calçadas é um dos maiores problemas da cidade. Ela criticou a aprovação de leis municipais que favoreceram bares e restaurantes na ocupação das calçadas da cidade. O arquiteto Sérgio Magalhães, também condenou a ocupação indiscriminada de bares e restaurantes. “Os bares e restaurantes não podem ocupar tudo como estão ocupando”, disse Magalhães, bastante aplaudido pela plateia. Além do presidente do CREA, participaram da mesa da audiência pública o vereador Pedro Duarte; o arquiteto Sérgio Magalhães, professor da UFRJ; o arquiteto e urbanista Luiz Gustavo Tavares Guimarães, da Firjan; o arquiteto Carlos Abreu, vice-presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio (CAU/RJ); a arquiteta Regina Cohen; e o presidente do Conselho Empresarial do Ecossistema da Longevidade da Associação Comercial do Rio de Janeiro, Carlos Molina.

Engenheiro Agrônomo Aurino Florêncio de Lima

Aurino Florêncio de Lima é engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), em 1969. Completou seu mestrado em Entomologia, pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (USP/ESALQ), em 1981. Iniciou sua trajetória profissional como bolsista do CNPq e engenheiro agrônomo no Estado da Guanabara, após aprovação em concurso público. Na UFRRJ, foi aprovado em concurso para Professor Assistente, ministrando aulas práticas e teóricas em diversas disciplinas da área de Entomologia para os cursos de Engenharia Agronômica, Licenciatura em Ciências Agrícolas e Ciências Biológicas. Lá também foi Professor Adjunto e lecionou diversas disciplinas, como Entomologia Agrícola, Entomologia Florestal e Parasitologia, Métodos de Controle de Pragas, e Entomologia e Parasitologia Aplicada, tanto na graduação como na pós-graduação. Orientou alunos de Iniciação Científica (CNPq), Aperfeiçoamento (CNPq), Mestrado e dezenas de monografias de final de curso de Fitossanitarismo, além de orientar estágios supervisionados em Agronomia e trabalhos de conclusão de curso. Desenvolveu projetos de pesquisa em diversas áreas da Entomologia, com destaque para o controle biológico de pragas e a taxonomia de grupos de insetos. Exerceu diversas funções administrativas na UFRRJ, como Subchefe e Chefe do Departamento de Biologia Vegetal, e Vice-Diretor e Diretor do Instituto de Biologia. Exerceu cargos de chefia no Serviço de Defesa Sanitária Vegetal e no Departamento de Parques e Jardins do Rio de Janeiro. Ministrou cursos, palestras e seminários sobre diversos temas da Entomologia, como controle de pragas, uso de agrotóxicos e pragas de plantas frutíferas e publicou diversos trabalhos científicos em revistas especializadas, além de livros e capítulos de livros sobre pragas, praguicidas e receituário agronômico. Foi homenageado com o nome da turma de formandos em Agronomia 2011-2 da UFRRJ e recebeu o Prêmio DAENA na XXV Semana Acadêmica de Agronomia da UFRRJ, além de outras homenagens e prêmios.