GT de Mobilidade Urbana do CREA-RJ debate os desafios sobre a redução de frota
O Grupo de Trabalho de Mobilidade Urbana do CREA-RJ realizou a quinta reunião, no dia 16 de julho, na sede do Conselho, no Centro do Rio, para abordar o tema dos impactos da redução de frotas e, consequentemente, a queda da sua qualidade. A cidade do Rio de Janeiro começou a operar com 20% menos viagens de ônibus em dias úteis, de acordo com um novo plano operacional elaborado pela Secretaria Municipal de Transportes (SMTR). A redução, segundo a prefeitura, atinge prioritariamente horários de menor movimento e linhas onde foi constatado excesso de oferta, para ajustar custos e melhorar a eficiência do sistema. A engenheira Eunice Horácio (SEMOVE), apresentou um panorama sobre o sistema de concessão dos ônibus do município do Rio de Janeiro e abordou a crise do sistema, assim como a perda de demanda e qualidade desde a pandemia. De acordo com dados disponibilizados pela Secretaria Municipal de Transportes do Rio de Janeiro (SMTR), das 715 linhas que circulavam na cidade em 2019, apenas 453 operaram no ano de 2024, mostrando uma baixa de 36,64%. Atualmente, de acordo com os dados do Índice de Transportes, existem 478 serviços operantes, mas ainda há melhorias para serem elaboradas ao longo do caminho. “A partir disso, a gente traz algumas reflexões do que pode ou não mudar e, principalmente, a necessidade de se repensar a rede, de se planejar melhor e ter algumas soluções para o município do Rio para que a mobilidade seja sempre a mais adequada possível. O que nós vemos são soluções que a prefeitura vem trazendo, mas que de fato, na prática, não há resultado”, afirmou Eunice. Ela também tratou sobre a divisão da concessão em consórcios desde 2010 e os impactos operacionais, além das críticas aos novos indicadores propostos pela Prefeitura para o Índice de Qualidade do Transporte (IQT), com ênfase em problemas metodológicos na aferição de satisfação do usuário, e a discussão técnica sobre idade média da frota, indicadores subjetivos e metodologia inadequada de medição. “Então, eu acho que o Grupo de Mobilidade aqui do CREA tem, por bem, tentar entender o que está acontecendo com todos os modos de transporte, e esse é um dos pontos que a gente vê pouca integração, pouco planejamento, e, sobretudo, acompanhar o que vem acontecendo na capital, onde tema a maioria dos movimentos da região metropolitana, para que a gente possa contribuir e fazer contrapropostas quando o que vem sendo apresentado não está sendo, de fato, uma boa solução”, disse Eunice Horácio sobre a importância do GT. Foi debatida a recente decisão da Prefeitura do Rio de Janeiro de reduzir em 20% a quilometragem dos ônibus municipais, sem consulta prévia ao Conselho Municipal de Transportes. Destacou-se ainda a falta de planejamento integrado entre modais e ausência de dados transparentes. “Discutimos hoje a redução prevista pela prefeitura, de aproximadamente 20% das linhas municipais, das viagens municipais dos ônibus, e também a criação de uma autoridade metropolitana para pensar a mobilidade de forma integrada. Então hoje, tivemos uma reunião bem produtiva aqui com os nossos membros”, avaliou Alexandre Almeida, coordenador do GT. Além da engenheira Eunice Horácio e do engenheiro Alexandre Almeida, essa reunião contou com a presença dos membros Antônio Batista, Haroldo dos Santos, Licinio Machado, Vera Bacelar, Rafael Poubel (Agetransp) e o apoio administrativo de Landijara Duarte. A próxima reunião foi marcada para o dia 13 de agosto, às 15h, na sede do CREA-RJ.
Em parceria com a Petrobras, UFRJ renova pavimentação na Cidade Universitária, utilizando asfalto sustentável

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ) está recapeando alguns trechos da Cidade Universitária, utilizando um novo asfalto desenvolvido pela Petrobras. A iniciativa faz parte de projetos conjuntos entre o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe) e o Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes) da Petrobras, que têm buscado alternativas para a aplicação de produtos mais sustentáveis na pavimentação asfáltica. A pesquisa abrange eixos de análise sobre o envelhecimento do material, como ele se comporta ao longo do tempo, a dosagem balanceada para otimizar o desempenho mecânico e a sustentabilidade. O novo asfalto tem grande potencial de reduzir a emissão de poluentes durante a sua produção e aplicação no campo. “Estamos aplicando e avaliando o desempenho deste novo asfalto desenvolvido pela Petrobras, que alia eficiência técnica e responsabilidade ambiental com potencial para transformar o mercado de pavimentação”, destacou Thiago Aragão, professor da Coppe e coordenador do projeto. Os trechos serão monitorados pelos pesquisadores, que vão avaliar as performances funcionais e estruturais, buscando validar as tecnologias utilizadas. Novos experimentos estão previstos para serem realizados na Cidade Universitária no segundo semestre deste ano. “O uso desses materiais pode inaugurar uma nova geração de pavimentos asfálticos no país, consolidando a posição da Petrobras no mercado de derivados de petróleo e contribuindo para infraestruturas mais duráveis e com menor impacto ambiental”, conclui Aragão. A pavimentação começou em maio na Avenida Carlos Chagas Filho (próximo à saída 2) e na Avenida Horácio Macedo (próximo à Praça Edson Abdalla Saad). Novos recapeamentos deverão ocorrer em setembro: na Avenida Horácio Macedo (sentido ponte), desde o posto de combustíveis até a rotatória da Praça Samira Mesquita, dando continuidade na Avenida Pedro Calmon (sentido ponte). Outros pequenos trechos também serão atendidos, como a Praça Wanda de Oliveira (alojamento) e Avenida Carlos Chagas Filho (próximo à BioRio). As intervenções ainda podem aprimorar a mobilidade urbana, diminuindo os congestionamentos, além de melhorar o escoamento das águas pluviais sobre as vias em dias de chuva. Fontes: Coppe e UFRJ