Como o Porto de Chancay pode redefinir o comércio brasileiro

O Porto de Chancay, localizado a cerca de 70 km de Lima (Peru), representa uma mudança estratégica para o comércio da América do Sul. Até então, cargas brasileiras levavam cerca de 35 dias para chegar à China — tempo que pode ser reduzido para 10 a 12 dias utilizando o novo terminal e as chamadas Rotas de Integração Sul‑Americana, especialmente a Rota 2, que conecta a região Amazônica ao Pacífico. Operado majoritariamente pela chinesa COSCO Shipping Ports (60%), em parceria com a peruana Volcan (40%), Chancay é um dos primeiros portos “inteligentes” da região Sul‑Americana: conta com calado de quase 18–20 m, guindastes automatizados, conexão 5G e um túnel de 1,8 km ligando diretamente à Rodovia Pan‑Americana. Na fase inicial, a capacidade é de até 1 milhão de contêineres/ano, com expansão prevista para 1,5 milhão. Para o Brasil, a expectativa é grande. Estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Acre e Amazonas já estudam formas de escoar soja, milho, carne bovina, celulose e produtos manufaturados via Chancay. Especialmente produtos perecíveis se beneficiariam do tempo de viagem reduzido — de até 45 dias, via Santos, para cerca de 23–30 dias indo pelo Pacífico. No entanto, o impacto já mostra limitações. O Valor Econômico e o Centro da Indústria do Amazonas (Cieam) apontam que o principal gargalo está nos elevados custos logísticos antes da chegada ao porto peruano: fretes caros, procedimentos aduaneiros complexos e infraestrutura deficiente na travessia da Cordilheira dos Andes. Além disso, especialistas enfatizam que o Porto de Santos não deverá perder participação significativa, pois se beneficia da proximidade com os grandes centros de produção do Brasil. Por outro lado, o investimento chinês em Chancay não se limita à logística. Segundo reportagens internacionais, o porto de US$ 3,4–3,6 bilhões integra a iniciativa Belt & Road da China, com implicações geopolíticas, gerando preocupação nos EUA sobre influência estratégica chinesa na região. O porto já movimentou mais de US$ 290 milhões em mercadorias em seus primeiros seis meses, gerando cerca de 8 mil empregos e contribuindo com até 0,3 % do PIB peruano. Para que o Brasil usufrua efetivamente dessa rota, é fundamental avançar nas Rotas de Integração Sul‑Americana. A Rota 2, que passa pelo Solimões até Tabatinga (AM), e a Rota 3, cruzando o Acre via BR‑317 e BR‑264 até o Peru, estão em fase de implementação, com investimento previsto de US$ 10 bilhões pelo governo brasileiro. Embora o Porto de Chancay represente uma oportunidade logística e estratégica para o Brasil ampliar sua integração com a Ásia, fortalecer exportações, diversificar rotas, vencer os desafios logísticos (terrestres e aduaneiros) e a necessidade de infraestrutura de apoio seguem sendo as grandes barreiras. Enquanto isso, a pressão sobre países como o Peru e a crescente influência da China no Pacífico ressaltam a importância de políticas coordenadas entre Brasil e vizinhos para transformar essa rota em fato — e não apenas expectativa.

Comunicado I Feriado Municipal devido à Reunião de Cúpula do BRICS

Em virtude do feriado municipal devido à reunião de cúpula do BRICS na cidade do Rio de Janeiro,  no dia 7 de julho (segunda-feira) e de ponto facultativo no dia 4 de julho (sexta-feira), estabelecidos pela Prefeitura do Rio de Janeiro, informamos que nestes dias não haverá expediente na Sede e nas Inspetorias da Barra da Tijuca, Campo Grande e Ilha do Governador do CREA-RJ, retornando ao funcionamento normal no dia 8 de julho (terça-feira).  As demais inspetorias e postos de relacionamento funcionarão normalmente nestes dias.