Dia Internacional das Mulheres na Engenharia

Instituído em 2014 pela Women’s Engineering Society (WES) do Reino Unido, o Dia Internacional das Mulheres na Engenharia é comemorado anualmente em 23 de junho. A data tem como objetivo fortalecer o espaço que as engenheiras seguem ganhando na profissão, antes majoritariamente ocupada por homens. O símbolo da Engenharia é a deusa Minerva, a versão romana da deusa grega Atenas, com uma engrenagem ao seu redor. Essa engrenagem simboliza o bom funcionamento das peças  internas, o seu constante movimento e evolução. A Minerva, conhecida como a deusa da sabedoria e da estratégia, representa tais virtudes que são aprimoradas por essa profissão. Porém, apesar da representação oficial ser com a figura feminina da deusa, durante a história do avanço das Engenharias, as mulheres não foram as protagonistas.  No Brasil, de acordo com os dados presentes no relatório “Estatísticas de Gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil”, produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2022, elas representavam 22% das engenheiras formadas, uma queda em relação a 2012, quando eram 24,4%. Embora sejam maioria no acesso ao nível superior de ensino, sendo de 21,3% contra 16,8% dos homens, ainda enfrentam barreiras nos cursos das áreas de CTEM (Ciências, Tecnologias, Engenharias, Matemática), o que carrega o estigma social do gênero, como o pensamento  de que as mulheres não são racionais, mas dotada de emoções e que não correspondem às exatas. Assim, no evento deste ano promovido pelo Programa Mulher para o Dia Internacional da Mulher, chamado de “Da Luta à Liberdade: Celebrando a Evolução dos Direitos e a Autenticidade Feminina”, o presidente do CREA-RJ, Miguel Fernández y Fernández, afirmou: “É fundamental que a gente traga esse tema para dentro do setor das engenharias, que é uma profissão tradicionalmente com um número muito menor de mulheres participando, mas que vem ao longo dos últimos anos crescendo significativamente. Isso se dá pelos programas e projetos que buscam trazer essa igualdade. Hoje as mulheres dentro do setor já compõem 20% dos profissionais, mas para que haja igualdade tem que chegar à metade. Tem que ser meio a meio. Então, parabéns a vocês, mulheres profissionais das Engenharias, da Agronomia e das Geociências. Celebrem bastante e sirvam de referência para as novas profissionais cada vez mais para que a gente possa alcançar a igualdade no nosso Sistema” Landijara Duarte, gerente de relações institucionais e programas estratégicos do CREA-RJ também participou da celebração. “Hoje nós somos 20% mas nós estamos trabalhando não só para ser um número, mas acima de tudo um número considerado e respeitado dentro das suas particularidades. Como gerente dos programas institucionais a gente está aqui para fazer com que esses programas, tanto o Crea Júnior, quanto o Progredir, o ESG e o Programa Mulher possam estar conversando entre si e trazendo para dentro do CREA a realidade unilateral. A gente conversando com a sociedade de forma que ela compreenda a importância de cada um desses programas trazendo de retorno para sociedade a importância de cada um”, diz Duarte.  O Programa Mulher, instituído no Confea desde 2019 e atuante nos 27 conselhos regionais, incluindo o Crea-RJ, tem por objetivo promover a igualdade de oportunidades e garantir que as mulheres sejam valorizadas e reconhecidas em suas carreiras nas diversas modalidades, como a Engenharia e as demais profissões ligadas ao Sistema Confea/Crea.  Pioneiras na engenharia no Brasil: Outras Engenheiras que fizeram história ao redor do mundo: Confira o vídeo!

MEC proíbe cursos de Engenharia 100% a distância e define novo marco regulatório para o EAD

O Ministério da Educação (MEC) oficializou a proibição da oferta de cursos de graduação em Engenharia na modalidade 100% a distância. A medida integra o novo marco regulatório da Educação a Distância (EAD), estabelecido pelo Decreto nº 12.456, publicado em 19 de maio de 2025. O texto reconhece a necessidade de formação prática e presencial em áreas técnicas e exatas, como a Engenharia, e estabelece diretrizes mais rígidas para o credenciamento e funcionamento de cursos superiores a distância no país. O novo marco classifica os cursos em três formatos: presencial (mínimo de 70% da carga horária com atividades físicas em instituições de ensino), semipresencial (com ao menos 30% de carga presencial e 20% de atividades presenciais ou síncronas mediadas por tecnologia), e EAD (com no máximo 29,9% de presencialidade, sendo obrigatórios pelo menos 10% de atividades físicas e 10% síncronas mediadas). Para os cursos vinculados ao Sistema Confea/Crea, o formato autorizado será o semipresencial, desde que contemple, no mínimo, 40% de carga horária presencial. A mudança foi precedida por uma suspensão temporária do credenciamento de novos cursos EAD, anunciada pelo MEC ainda em 2023, como forma de conter o crescimento desregulado da modalidade. Dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) indicavam um aumento de mais de 2.000% na oferta de cursos de Engenharia a distância em dez anos — número que acendeu um alerta sobre a qualidade da formação e os riscos ao exercício profissional. Desde então, o Confea tem atuado em diálogo com o MEC, defendendo a necessidade de manter práticas laboratoriais, aulas de campo e interação entre docentes e discentes como pilares essenciais para a formação de engenheiros e engenheiras com responsabilidade técnica e competência para atuar em projetos complexos e de impacto social. Com a publicação da Portaria MEC nº 381/2025, as instituições de ensino terão um prazo de até dois anos para se adequar às novas diretrizes. Os cursos que não atenderem às exigências mínimas de presencialidade serão gradualmente extintos — embora os alunos já matriculados possam concluir suas formações.