Dia Mundial dos Oceanos
No dia 8 de junho, é comemorado o Dia Mundial do Oceano. A data foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2008, mas sua proposta ocorreu desde 1992 durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro. Tem como objetivo demonstrar a importância dos oceanos para a saúde e bem-estar, assim como promover hábitos sustentáveis na interação com os mares, promovendo ações e iniciativas coletivas globais para a conservação, restauração e explorações científicas para sua revitalização. O planeta possui cinco oceanos, que são separados por suas características geográficas ou propriedades físicas, sendo eles os oceanos Atlântico, Pacífico, Índico, Ártico e Antártico, esse último também conhecido como Oceano Austral ou Oceano Sul. Apesar desta divisão, na verdade o oceano é um só, pois, todos os oceanos citados têm comunicação entre si. O oceano produz pelo menos 50% do oxigênio do planeta, abriga a maior parte da biodiversidade da Terra e é a principal fonte de proteína para mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo. Além disso, o oceano é fundamental para a economia, com cerca de 40 milhões de pessoas empregadas em indústrias baseadas no oceano até 2030. Eles também cobrem mais de 70% da superfície da Terra e contém 97% da água de todo o planeta. As águas salgadas abrigam uma biodiversidade com quase 200 mil espécies identificadas. Eles são parte essencial para promover a regulação climática do planeta, pois absorvem cerca de 30% do dióxido de carbono produzido pelos seres humanos. Além disso, aproximadamente 3 bilhões de pessoas no mundo todo dependem dos mares como fonte de alimento. Apesar de todos os benefícios, os oceanos sofrem os impactos causados pelas ações da humanidade. Segundo o Programa das Nações Unidas os oceanos recebem cerca de 13 milhões de toneladas de plástico anualmente, o equivalente a descarregar um caminhão de lixo no oceano por minuto. Esta quantidade poderia aumentar até 17,5 milhões de toneladas neste ano se a sociedade não diminuir o ritmo dos descartes. Assim, a ONU declarou o período entre 2021 e 2030 como a Década dos Oceanos para o Desenvolvimento Sustentável. A meta é mobilizar cientistas, políticos, empresas e sociedade civil para a pesquisa e inovação para promover a conservação dos recursos naturais do globo. Esta década deverá facilitar a comunicação e o aprendizado mútuo entre as comunidades de pesquisa e partes interessadas. Ou seja, é um momento muito propício para fortalecer as ações de Educação Ambiental relacionadas aos oceanos. Impacto das mudanças climáticas nos oceanos As mudanças climáticas são transformações que ocorrem gradualmente no meio ambiente, principalmente nos aspectos do clima e da temperatura. Elas podem ter causas naturais como alterações na radiação solar e dos movimentos orbitais da terra, ou podem ser as consequências das ações humanas como desmatamento, poluição e emissão de gases de efeito estufa. E os oceanos também reverberam esses impactos. A Copernicus indica que a temperatura do mar no segundo semestre de 2024, foi a segunda mais quente já registrada. Um dos grandes problemas gerados pelo calor nos oceanos é o derretimento das geleiras. Em pesquisa realizada pela Universidade do Colorado Boulder, em 2024, foi observado que a extensão do gelo marinho antártico atingiu uma redução histórica de 200 mil km². O oceano absorve cerca de um quarto das emissões anuais de CO2. A interação do dióxido de carbono com a água do mar altera a química do carbonato resultando na redução do pH. Esse processo é conhecido como acidificação. De acordo com o Sexto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), o pH da superfície do oceano aberto é o mais baixo dos últimos 26 mil anos. O aumento do nível do mar por registros de satélites atingiu o máximo histórico e, nos últimos dez anos, é mais que o dobro comparado ao início dos registros em 1993. O aquecimento contínuo e o derretimento de glaciares e camadas de gelo estão entre os fatores que contribuíram. A Unesco relata que, devido ao degelo acelerado, o nível do mar subiu 9 centímetros nos últimos 30 anos, duplicando o ritmo médio de elevação dos anos anteriores. As consequências desses dados à biodiversidade marinha são catastróficas. De acordo com artigo publicado na revista Science, caso o cenário não melhore até o ano 2300, a vida nos oceanos enfrentará uma extinção em massa. A acidificação coloca em risco os recifes de coral, já que abala a fixação de carbonato de cálcio em conchas, ouriços do mar, entre outras espécies. E também com a redução de oxigênio nos mares leva a um crescimento da produção de óxido nitroso, o que agrava ainda mais o efeito estufa. Fontes: Portal de Educação Ambiental (SP) e ONU