Brasil tem potencial para liderar a produção mundial de hidrogênio verde

O Brasil reúne uma combinação única de recursos naturais, capacidade técnica e oportunidades econômicas que o posicionam de forma privilegiada no cenário global da transição energética, especialmente na produção de hidrogênio verde. Esse vetor energético, considerado peça-chave para a descarbonização da economia mundial, tem no país um terreno fértil para se desenvolver, graças à matriz elétrica limpa e renovável – uma das mais sustentáveis do planeta. A eletrólise da água, processo utilizado para obter o hidrogênio verde, demanda grandes quantidades de energia elétrica. No Brasil, essa energia pode ser fornecida majoritariamente por fontes como a hidráulica, a solar e a eólica, o que confere um diferencial competitivo em termos de custo e sustentabilidade. Além disso, o país possui regiões com excelente potencial para instalação de plantas de produção, inclusive em áreas menos povoadas, o que ajuda a descentralizar o desenvolvimento econômico. Diversos projetos já estão sendo desenhados em estados como Ceará, Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Essas iniciativas envolvem parcerias entre entes públicos, universidades e empresas privadas, tanto nacionais quanto internacionais, o que demonstra o alto nível de interesse e confiança no potencial brasileiro para liderar esse mercado nascente. Apesar do cenário promissor, o desenvolvimento do hidrogênio verde no Brasil ainda enfrenta desafios como a necessidade de um marco regulatório específico, infraestrutura de transporte e armazenamento, bem como políticas públicas que estimulem investimentos e parcerias. Ainda assim, especialistas apostam que, com planejamento estratégico e investimentos coordenados, o país pode se tornar um dos maiores exportadores mundiais dessa fonte energética. O Instituto de Energia e Ambiente da USP destaca que a construção desse novo setor energético pode gerar empregos qualificados, impulsionar a inovação tecnológica e contribuir significativamente para o cumprimento das metas climáticas assumidas pelo Brasil no Acordo de Paris. Ao mesmo tempo, pode ampliar o protagonismo internacional do país em pautas relacionadas à sustentabilidade e à economia verde. O hidrogênio verde também tem destacada importância estratégica do para diversos setores industriais, como siderurgia, fertilizantes e transportes pesados, onde a eletrificação direta é mais difícil. O Brasil pode usar o hidrogênio não apenas para exportação, mas também como insumo para agregar valor à produção nacional. Além disso, iniciativas como a criação de hubs de hidrogênio e zonas industriais dedicadas já estão em curso, fortalecendo a infraestrutura e atraindo investimentos estrangeiros. Vantagens e desvantagens do Hidrogênio Verde Vantagens: Sustentabilidade: o hidrogênio verde, produzido a partir de fontes de energia renováveis, como a energia solar e a eólica, não liberta gases com efeito de estufa quando é produzido ou utilizado, ajudando a abrandar o aquecimento global. Versatilidade: pode substituir os combustíveis fósseis em uma variedade de usos em diversos setores, incluindo transporte, manufatura e produção de energia. Armazenamento de energia: este recurso equilibra a natureza errática das fontes de energia renováveis, como solar e eólica, permitindo armazenar energia renovável de forma eficaz para uso posterior. Diminuição da poluição local: por não liberar poluentes nocivos quando utilizado, melhora a qualidade do ar, principalmente nas cidades. Isto contrasta com os combustíveis fósseis. Segurança: embora o hidrogênio seja extremamente combustível, os perigos podem ser reduzidos com tecnologia moderna e as precauções de segurança adequadas. Desvantagens: Alto custo de produção: o hidrogênio verde é mais caro do que os combustíveis fósseis devido à melhoria contínua das tecnologias de produção, necessitando de gastos para reduzir custos. Eficiência: podem ocorrer perdas consideráveis associadas à conversão de energia em hidrogênio e vice-versa, o que pode afetar a eficiência geral do processo. Armazenamento e transporte: o armazenamento e transporte em grande escala de hidrogênio exige o desenvolvimento de tecnologias adequadas e infraestrutura especializada. Vazamentos de hidrogênio: os riscos de explosão e incêndio decorrentes do vazamento de hidrogênio exigem procedimentos de segurança rigorosos e observação contínua. Impacto social e ambiental: deve-se ter cuidado para regular os efeitos sociais e ambientais que a produção de hidrogênio verde, que é obtido principalmente por eletrólise, pode ter. Esses efeitos incluem o uso da água e o uso da terra. Sobre “as cores” do Hidrogênio O mundo busca soluções a hidrogênio que tenham pegadas baixas, nulas ou mesmo negativas de carbono. O hidrogênio “verde” ganha essa nomenclatura por sua origem renovável, derivada da eletrólise da água com eletricidade produzida de fontes renováveis. Existem outras formas de se produzir hidrogênio de baixo carbono, que também ganham uma caracterização via “cores”, e estão atreladas à origem de seu insumo, do processo produtivo adotado e da tecnologia utilizada para mitigar eventuais fontes de CO2. O hidrogênio azul, por exemplo, tem origem na reforma de gás natural, com captura de carbono (CCS). O hidrogênio laranja será produzido a partir de resíduos, o hidrogênio musgo, produzido com biomassa e biocombustíveis. O hidrogênio rosa é a partir de fonte nuclear de eletricidade. Fonte: IEE – Instituto de Energia e Ambiente USP

Dia Mundial do Livro

No dia 23 de abril é celebrado o Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais. Em 1995, a data foi estabelecida na Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) com o objetivo de incentivar a leitura, celebrar o livro, a sua importância na transmissão de conhecimento acerca do mundo ao possibilitar o acesso a diferentes culturas e promover a educação, este último como principal ferramenta a para a transformação social.  Além de destacar o impacto da leitura na vida das pessoas com a construção de novos imaginários, perspectivas, caminhos para a solução de problemas e no desenvolvimento humano, também é uma forma de homenagear e preservar a memória de autores clássicos que morreram em 23 de abril, como William Shakespeare, Miguel de Cervantes e Inca Garcilaso.  E ao promover os livros e os direitos autorais, a Unesco defende a criatividade, a diversidade e o acesso igualitário ao conhecimento, com o trabalho em todos os setores – desde a rede de Cidades Criativas da Literatura até a promoção da alfabetização e da aprendizagem móvel, assim como o avanço do acesso aberto ao conhecimento científico e aos recursos educacionais.  Rio de Janeiro: Capital Mundial do Livro 2025 Todos os anos, no dia 23 de abril acontecem comemorações em todo o mundo para reconhecer o alcance dos livros – um elo entre o passado e o futuro, uma ponte entre gerações e culturas. Assim, a Unesco e as organizações internacionais que representam os três grandes setores da indústria do livro (editoras, livreiros e bibliotecas), elegem por um ano uma cidade como a Capital Mundial do Livro, para manter o entusiasmo  das comemorações do Dia por meio de suas próprias iniciativas locais.  Neste ano de 2025, o Rio de Janeiro foi concedido com o título de Capital Mundial do Livro. A Unesco e o Comitê Consultivo reconheceram o fato de o Rio demonstrar a importância de seu patrimônio literário, juntamente com uma visão definida e um plano de ação para promover a literatura, a sustentabilidade do mercado editorial e a leitura entre os jovens, aproveitando as tecnologias digitais. Esta é a primeira vez que uma cidade de língua portuguesa é nomeada Capital Mundial do Livro. Alinhado com as prioridades expressas na Carta da Capital Mundial do Livro, o Rio de Janeiro concebe seu projeto como tendo a capacidade de promover mudanças sociais – por exemplo, por meio da alfabetização, da educação e da erradicação da pobreza – e produzir benefícios econômicos sustentáveis relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.  Audrey Azoulay, diretora geral da Unesco, reforça a importância dessa iniciativa: “Os livros são veículos essenciais para acessar, transmitir e promover a educação, a ciência, a cultura e a informação em todo o mundo. Graças aos livros, nós nos mantemos informados, nos divertimos e somos capazes de entender melhor o nosso mundo. É por isso que, todos os anos, a UNESCO designa uma Capital Mundial do Livro. Depois de Acra, em 2023, e Estrasburgo, em 2024, eu tenho o prazer de anunciar a nomeação do Rio de Janeiro como Capital Mundial do Livro para 2025”, diz Azoulay  A cidade terá uma extensa agenda de eventos e ações voltadas para a formulação de novas políticas públicas de livro e leitura, com apoio das principais entidades do mercado editorial brasileiro. Também faz parte da agenda do Rio Capital Mundial do Livro uma série de eventos e ações voltados para o desenvolvimento econômico do setor e para a formulação de novas políticas públicas de livro e leitura. Fontes: Unesco e Prefeitura do Rio de Janeiro