Dia Mundial da Educação Ambiental

O Dia Mundial da Educação Ambiental é comemorado em 26 de janeiro e tem como objetivo promover a conscientização sobre a importância do assunto para o desenvolvimento sustentável. É uma oportunidade para reforçar a importância de incluir a educação ambiental nas escolas e outros espaços educativos, a fim de preparar as gerações futuras para enfrentar os desafios ambientais e mundiais. A data é celebrada desde 1975, quando a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) realizou o Encontro Internacional de Educação Ambiental, em Belgrado, antiga Iugoslávia. Ao final do evento, a Carta de Belgrado foi elaborada, sendo o marco inicial para o desenvolvimento da educação ambiental.  Para o cientista ambiental Adalberto Marcondes, diretor do Instituto Envolverde, Educação ambiental não é tema apenas para crianças, não é apenas aprender a fazer artesanato com recicláveis ou entender como os materiais devem ser separados no descarte do que ainda chamamos de lixo. “A educação ambiental do século 21 deve alcançar do ensino fundamental às universidades. Deve estar nas escolas de Engenharia que transformarão os produtos de baixo impacto e zero carbono em padrão para as indústria; nas faculdades de Medicina, que ensinarão como se alimentar e combater doenças a partir de vidas saudáveis; nas escolas de Jornalismo, que ensinarão que Meio Ambiente é tudo e não apenas páginas especiais em jornais dominicais”. Agenda 2030 da ONU A Agenda 2030 da ONU, um guia global para alcançarmos um Planeta mais sustentável até 2030, contém os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pelas Nações Unidas. Dentro dela, os ODSs 4, 11, 12, 13 e 15 estão relacionados com a educação ambiental e proteção do meio ambiente. O ODS 4 visa garantir o acesso à uma educação de qualidade e inclusiva para todos, incluindo a educação ambiental. O ODS 11 e 12 busca tornar as cidades e comunidades mais sustentáveis e os padrões de produção e consumo mais responsáveis. O ODS 13 visa tomar medidas para combater as mudanças climáticas e seus impactos. E por fim o ODS 15 tem foco em proteger e restaurar as florestas, a biodiversidade e os ecossistemas. Diante dos múltiplos desafios para promover a implementação da Agenda 2030, instituições e empresas privadas que investem na educação ambiental e em atitudes verdadeiramente sustentáveis, como a neutralização do carbono, destacam-se no mercado e contribuem para tornar tangíveis os recém mencionados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Primavera Silenciosa A movimentação pelo Meio Ambiente, entretanto, foi impulsionada anos antes com o lançamento do  livro “Primavera Silenciosa” (Silent Spring), em outubro de 1962, da norte-americana Rachel Louise Carson. Bióloga marinha, escritora, cientista e ecologista, ala foi a primeira cientista a pensar no Meio Ambiente como algo holístico. Na obra, considerada uma das mais importantes do século XX, Rachel alerta sobre o perigo dos pesticidas, especialmente o DDT, aos seres vivos, à saúde humana e à natureza de maneira geral.  Mulher e cientista num mundo masculino, seus primeiros trabalhos foram assinados como R.L. Carson para não revelar sua condição feminina e, consequentemente, atrair descrédito às suas pesquisas. Rachel anteviu, já nos anos 50, questões relevantes que se fazem presentes até hoje. Ela foi a primeira cientista a constatar que o uso de pesticidas agrícolas atinge todo o ecossistema (solo, águas, fauna e flora), entra na cadeia alimentar e termina por chegar às nossas mesas.  “Primavera Silenciosa” provocou grande repercussão, quer no campo científico, quer no campo da ética e da política. Na época, o DDT era visto como um avanço tecnológico, sendo amplamente utilizado em lavouras, hortas e jardins nos Estados Unidos. O pioneirismo da autora custou-lhe uma perseguição implacável e uma campanha difamatória por parte dos fabricantes e usuários de DDT nos EUA. No Brasil, o uso do DDT foi proibido apenas em 2009 (Lei Nº 11.936/2009). Apesar da proibição do DDT, o uso de outros pesticidas ainda é intensamente realizado. Carta de Belgrado Embora redigido há quase 50 anos, o documento sintetiza, com relevante atualidade, todo o marco conceitual das questões ambientais e mostra que todo cenário já estava delineado, bem como, a forma como deveriam ter sido tratados os problemas e quais soluções eram relevantes. Leia a íntegra! “Nossa geração tem testemunhado um crescimento econômico e um processo tecnológico sem precedentes, os quais, ao tempo em que trouxeram benefícios para muitas pessoas, produziram também sérias consequências ambientais e sociais. As desigualdades entre pobres e ricos nos países, e entre países, estão crescendo e há evidências de crescente deterioração do ambiente físico numa escala mundial. Essas condições, embora primariamente causadas por número pequeno de países, afetam toda a humanidade. A recente Declaração das Nações Unidas para uma Nova Ordem Econômica Internacional atenta para um novo conceito de desenvolvimento – o que leva em conta a satisfação das necessidades e desejos de todos os cidadãos da Terra, pluralismo de sociedades e do balanço e harmonia entre humanidade e meio ambiente. O que se busca é a erradicação das causas básicas da pobreza, da fome, do analfabetismo, da poluição, da exploração e dominação. Não é mais aceitável lidar com esses problemas cruciais de uma forma fragmentária. É absolutamente vital que os cidadãos de todo o mundo insistam a favor de medidas que darão suporte ao tipo de crescimento econômico que não traga repercussões prejudiciais às pessoas; que não diminuam de nenhuma maneira as condições de vida e de qualidade do meio ambiente. É necessário encontrar meios de assegurar que nenhuma nação cresça ou se desenvolva às custas de outra nação, e que nenhum indivíduo aumente o seu consumo às custas da diminuição do consumo dos outros. Os recursos do mundo deveriam ser utilizados de um modo que beneficiasse toda a humanidade e proporcionasse a todos a possibilidade de aumentar a qualidade de vida. Nós necessitamos de uma nova ética global – uma ética que promova atitudes e comportamentos para os indivíduos e sociedades, que sejam consonantes com o lugar da humanidade dentro da biosfera; que reconheça e responda com sensibilidade às complexas e dinâmicas relações entre a humanidade e a natureza, e entre