Crea-RJ realiza debate em comemoração ao Dia Meteorológico Mundial: tempo sob controle, clima inteligente.

As mudanças climáticas de longo prazo estão aumentando a intensidade e a frequência de eventos extremos e, com o desenvolvimento das megacidades, mais pessoas ficam expostas e vulneráveis. Fortes tempestades, ventanias devastadoras, ciclones tropicais, ondas de calor e de frio intensos e diferentes tipos de desastres naturais ocorreram na cidade do Rio de Janeiro nos últimos meses.  E as enchentes não são as únicas consequências que a população enfrentou. Também se observou significativo aumento de reclamações de extravasamentos de esgotos e galerias de águas pluviais.

 

Este foi o tema da mesa redonda realizada no Crea-RJ, em comemoração ao Dia Meteorológico, na última sexta-feira (23), evento que reuniu profissionais da área para debater aspectos climáticos e alguns fenômenos intensos numa data escolhida a dedo: em 23 de março de 1950  foi consolidada a Organização Meteorológica Mundial.

 

A mesa redonda contou com a participação do professor e doutor da Universidade Federal Fluminense, Márcio Cataldi, o doutor Nilton Moraes, representando o Alerta Rio, Cinthia Avellar, representando o Inea e o mestre e meteorologista, Pedro Jourdan e foi aberta por uma saudação do presidente do Crea-RJ, Luiz Antonio Cosenza.  

 

O coordenador de graduação em Engenharia de Recursos Hídricos e do Meio Ambiente da UFF, Márcio Cataldi, apresentou o sistema de meteorologia sinótica, relacionado com a descrição, análise e previsão do tempo de sistemas meteorológicos de grande escala, vinculado ao estudo de processos atmosféricos, bem como à previsão do tempo baseada em resultados de estudo sinóticos.

 

“O verão de 2018, na cidade do Rio de Janeiro, foi ameno. Por isso, não era possível imaginarmos essas chuvas ocorridas em fevereiro, mesmo sendo possível enxergar padrões das nossas estações. A área de meteorologia sinótica ainda é um pouco ingrata, devido a instabilidade e a incerteza muito grande presentes. É uma área que precisa de mais ocupação profissional, vide que a mesma é essencial para toda a sociedade”, alega Cataldi.

 

O meteorologista Nilton Moraes esclareceu que o sistema gerenciado pela Fundação GEO-RIO, Alerta Rio, realiza uma pesquisa meteorológica que conta com a participação de todos os órgãos da Prefeitura do Rio de Janeiro. A partir da possibilidade de ocorrência de chuva, o setor de meteorologia passa informes internos com a previsão para os dias seguintes de forma a permitir antecipação de cenários e organização de serviços à população. Nilton apresentou, ainda,  um panorama de alerta de chuvas intensas e de deslizamentos em encostas da cidade a partir de três estágios: normalidade, atenção e crise, informações passadas em tempo real para a população através das mídias sociais.

 

Representando o Instituto Estadual do Ambiente, a meteorologista Cinthia Avellar, apresentou os radares meteorológicos do Rio de Janeiro, abordando o desenvolvimento de técnicas de uso da tecnologia radar na previsão de eventos hidrológicos críticos. “Cabe ao Inea o monitoramento e envio de alertas de cheias, em apoio às Defesas Civis na prevenção de desastres”, afirma Cinthia, que ressaltou ainda os cincos estágios de inundações graduais:  vigilância, atenção, alerta, alerta máximo e transbordamento.

 

E Pedro Jourdan, mestre e meteorologista, abordou os sistemas de alerta e outras medidas de redução de risco de desastres, a fim de aumentar a resiliência das comunidades da cidade do Rio de Janeiro, a partir de quatro fases: conhecimento do risco de desastres; detecção, monitoramento, análise e previsão; disseminação e comunicação, e por fim,  capacidade de preparação e resposta.