A indústria da moda brasileira segue apoiada em uma ampla estrutura produtiva que reúne milhares de empresas, processos industriais integrados e uma das maiores cadeias de transformação do país. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) ajudam a dimensionar a escala da atividade, que envolve desde a produção de fibras e tecidos até a fabricação e distribuição de vestuário.
Levantamento da Pesquisa Industrial Anual (PIA-Empresa), divulgado pelo IBGE em 2025 com base nos dados de 2023, identificou 21,6 mil empresas de confecção de artigos do vestuário e acessórios em operação no país. O segmento empregava aproximadamente 525 mil trabalhadores e concentrava 6,8% de toda a mão de obra industrial brasileira, permanecendo entre as atividades com maior participação em pessoal ocupado dentro da indústria de transformação.
Os dados mais recentes do setor indicam continuidade da atividade produtiva. Segundo a ABIT, a indústria têxtil e de confecção registrou crescimento em 2024, com avanço de 4,8% na produção têxtil e de 3,9% no vestuário em comparação com o ano anterior. O setor também registrou geração de empregos e expansão do faturamento.
Informações consolidadas pela entidade apontam que a cadeia têxtil e de confecção movimentou R$ 203,9 bilhões em faturamento em 2023 e reúne mais de 25 mil empresas com mais de cinco empregados. A estrutura produtiva responde por cerca de 1,3 milhão de empregos diretos em toda a cadeia industrial.
O setor se diferencia por manter uma cadeia integrada, característica que permite reunir em território nacional etapas como produção de fibras, fiação, tecelagem, beneficiamento, confecção e distribuição. De acordo com a ABIT, o Brasil produz cerca de 8 bilhões de peças confeccionadas por ano e figura entre os principais produtores mundiais de artigos têxteis e de vestuário.
Além dos indicadores econômicos, os levantamentos ajudam a dimensionar a complexidade industrial envolvida na produção da moda. A atividade demanda infraestrutura fabril, sistemas logísticos, desenvolvimento de produtos, processos de controle de qualidade, gestão da produção e fornecimento de insumos, compondo uma cadeia distribuída por diferentes regiões do país.
Os dados mostram que, além da presença no varejo e no consumo, a moda mantém relevância como atividade industrial, sustentada por uma extensa rede de empresas e processos produtivos que integram diferentes segmentos da indústria de transformação brasileira.
Além da produção industrial
Outros levantamentos do IBGE ajudam a acompanhar diferentes etapas da cadeia da moda.
Segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), o segmento de tecidos, vestuário e calçados registrou crescimento de 1,3% nas vendas em 2025, mantendo desempenho positivo ao longo do ano. Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apontou inflação de 4,99% para o grupo Vestuário em 2025, percentual superior ao índice geral de 4,26% registrado no período.
Juntos, os indicadores permitem observar a cadeia da moda sob diferentes perspectivas, abrangendo a produção industrial, a comercialização e o comportamento dos preços ao consumidor.
Fontes: IBGE e Abit
