Nas grandes centros é assim: chuvas fortes, caos à vista. Ainda mais em uma cidade como o Rio de Janeiro, rodeada de encostas, que sofre com a falta de recursos para o planejamento urbano de longo prazo. O fechamento do Túnel Rebouças, na última terça-feira (23/10), depois de um deslizamento de sete mil toneladas de terra, mostrou o estado precário da infra-estrutura urbana do município.
Quem mora na cidade já conhece os efeitos dramáticos dos temporais, como mortes por soterramentos, alagamento das vias urbanas e trânsito caótico. A situação das encostas, particularmente, piora a cada ano e preocupa especialistas às vésperas das temidas chuvas de verão.
“Os riscos são grandes com as tempestades que ocorrem em dezembro, janeiro e fevereiro. É impossível garantir que não haverá deslizamentos em uma cidade com morros tão íngremes e que investe tão pouco em obras de engenharia”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Mecânica de Solos e Engenharia Geotécnica, Alberto Sayão – engenheiro geotécnico e professor da Puc-Rio.
Para ele, os deslizamentos que ocorreram na encosta do Túnel Rebouças foram diferentes dos usuais. Uma testemunha disse que se formou uma verdadeira cachoeira de solo, pedra e água.
O engenheiro defende a necessidade de mais recursos para ações preventivas, como obras de contenção ou mesmo a retirada de blocos de pedras considerados instáveis. Mas alerta que para isso é preciso aumentar as verbas orçamentárias da Fundação Geotécnica (Geo-Rio).
“Embora os profissionais da Geo-Rio sejam muito bem capacitados tecnicamente, estão sofrendo com a redução do orçamento do órgão nos últimos anos”, critica.
De fato, os investimentos em obras de contenção em 2002 foram de R$ 16,3 milhões. E a previsão inicial feita para 2007 é de apenas R$ 2,9 milhões.
Hoje, o risco de deslizamento é detectado visualmente pelos técnicos. Contudo, é óbvia a necessidade, segundo Sayão, de estudos e sondagens para conhecer o tipo de material das encostas, descobrir possíveis fissuras e adotar medidas de prevenção.
Alberto Sayão critica a falta de preocupação dos governantes com estudos geológicos de encostas em áreas urbanas. “Eles não dão a importância devida a esse tipo de investigação, mas em situações emergenciais o dinheiro aparece”, conclui.
Fonte: ASMC

