No ano passado, a embaixada do Reino Unido contratou quatro grupos de pesquisa brasileiros para avaliar os efeitos das mudanças climáticas sobre o país. O INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) montou os cenários climáticos; a Fiocruz, os impactos sobre a saúde pública; e Embrapa e a Unicamp, os impactos sobre a agricultura; e o Coppe, sobre o sistema energético.
Dos três estudos, o do Coppe foi o primeiro a ser finalizado. Responsável pelo estudo, membro do IPCC (o relatório sobre estudos climáticos da ONU), o professor Roberto Schaeffer chegou a conclusões curiosas.
A primeira, e mais interessante, é que, ao mesmo tempo em que as fontes renováveis são vistas como uma alternativa brasileira para lidar com as mudanças climáticas, ao tornam o país mais vulnerável às mudanças. Todas as formas de energia alternativa, hidrelétrica, eólica, agronergia, dependem, em última instância da situação climática.
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Dentre todas as fontes de energia analisadas, a única impactada positivamente será a cana-de-açúcar. Nos cenários traçados de aumento de temperatura haverá uma ampliação da área disponível para o plantio de cana e um aumento da produtividade.
No caso das hidrelétricas, todas as bacias terão menos água fluindo e menos água nos reservatórios. No caso do rio São Francisco, a vazão será 25% mais baixa do que hoje
Quando se analisa a geração hídrica na Amazônia, o quadro muda de figura. Como as novas hidrelétricas estão sendo construídas a fio d’água (isto é, sem disporem de reservatórios), cada mudança no volume de chuvas trará conseqüências diretas sobre a geração de energia.
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Do lado da oferta, a melhor alternativa vislumbrada pelo trabalho é a geração a partir do bagaço de cana.
No caso da energia eólica (dos ventos), haverá uma mudança no padrão. Haverá o fim dos ventos bons para geração na região do São Francisco, mas um aumento no litoral nordestino.
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De acordo com os estudos, apenas as mudanças climáticas provocarão um aumento de 10% no consumo de energia residencial e de 15% no setor de serviços – meramente devido aos maiores condicionamentos de ar.
A partir dessas análises, o trabalho constata que a melhor alternativa para atender ai período 2035 a 2040 seriam o bagaço de cana e a energia eólica, melhores do que a energia nuclear – opção defendida pelo governo.
A eólica já tem um preço competitivo. Uma planta eólica gera 2 ou 3 megawatts. Angra 3 equivaleria a uns 400 geradores eólicos padrão. O problema é que, para um banco de desenvolvimento, é mais fácil financiar um grande empreendimento do que uma grande quantidade de pequenos empreendimentos.
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É a mesma lógica que impede a expansão da eficiência energética – isto é, o aumento da energia disponível através da otimização do gasto. É enorme o potencial de um programa de eficiência energética junto às famílias. O problema é que, para tomar um financiamento que permita financiar a melhoria, as famílias estarão submetidas a juros de cheque especial. E o custo do dinheiro inviabiliza qualquer programa distribuído de geração de energia.
Luis Nassif é jornalista
Fonte: Site Projeto Brasil

