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Falta de investimentos e de fiscalização dão brechas para furtos de energia, diz diretor da Abar

A falta de investimentos das concessionárias de água e energia nos
atendimentos às comunidades carentes e de fiscalização com penalizações
mais severas e sistemáticas são fatores que contribuem para o furto de
energia, na opinião de Sérgio Raposo, conselheiro diretor da Associação
Brasileira das Agências Reguladoras (Abar). A avaliação foi feita hoje
(28) durante o workshop Temporada de Caça aos Gatos, realizado no
Rio de Janeiro

Ainda de acordo com Raposo, o crescimento
populacional desordenado e a concentração urbana geraram problemas nos
serviços essenciais e, por isso, a população mais pobre instalou
mecanismos clandestinos para atender às suas necessidades. Mas, segundo
ele, é possível caminhar no sentido de um equilíbrio econômico das
atividades ao priorizar três princípios: manutenção, queda dos preços e
universalização dos serviços.

“Não podemos disfarçar o problema,
pessoas se apropriam, por falta de condições econômicas, desses bens.
Existe um procedimento de arrumação dessa bagunça urbana para um outro
estágio”, disse o representante da Abar.

Segundo o presidente
regional da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento
(Assemae), Eduardo Macedo, é preciso fazer uma campanha alertando para
os males causados pelo furto de energia, pela defasagem tecnológica e
pela falta de manutenção. Ele afirmou que existem municípios em que os
serviços têm a mesma estrutura há 40 anos.

“Os operadores têm de
usar a mídia no sentido de passar ao consumidor qual é esse tipo de
crime e suas penalidades, porque o prejuízo é repassado para os
consumidores regularizados. Além do prejuízo financeiro tem o físico com
o abuso do consumo e tem a operadora que chega a perder 50% do seu
serviço”, disse Macedo.

Estudo feito pelo Tribunal de Contas da
União estima que a população paga aproximadamente 5% a mais do que
deveria na conta mensal por causa dos furtos de energia. As perdas no
setor de energia elétrica chegam a R$ 10 bilhões. Segundo dados do
Sistema Nacional de Saneamento Ambiental (Snis), do Ministério das
Cidades, as perdas médias de água geram um prejuízo anual de cerca de R$
4 bilhões – desse total, R$ 2 bilhões são relativos a fraudes e furtos.

 
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