Na semana passada, em reunião do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), realizada no Rio de Janeiro, Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, afirmou reconhecer que o maior problema ambiental que o Brasil enfrenta atualmente é o desmatamento e que o governo federal usará até mesmo a Força Nacional de Segurança para combatê-lo. Embora tenha concordado com a ministra quanto aos danos causados pelo desmatamento, Luiz Pinguelli Rosa, secretário executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, criticou o fato de o Plano de Ação Nacional de Enfrentamento das Mudanças Climáticas ainda não estar implantado.
Pinguelli Rosa realçou as vantagens do Brasil em relação a outros países devido ao uso do biocombustível, da hidreletricidade, da energia eólica (vento) e do biodiesel, mas também criticou algumas ações do Ministério de Minas e Energia, como o fato de o país gastar US$ 2 bilhões para subsidiar o uso do diesel para gerar energia elétrica no Amazonas.
A introdução de usinas a carvão no Brasil foi outro ponto criticado pelo também professor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). "É um contra-senso o Brasil importar carvão para gerar energia elétrica", disse ele no encontro, cujo objetivo era discutir as conclusões do quarto relatório de avaliação sobre mudanças climáticas produzido pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC).
Segundo o físico, é necessário restringir padrões individuais de consumo. O uso do álcool nos carros brasileiros, para ele, é uma importante alternativa, mas não é suficiente. "Ao mesmo tempo, temos que ter políticas públicas para racionalizar o sistema de transporte, melhorando o sistema metroviário, por exemplo", sugeriu.
Fonte: Agência Fapesp

