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Em Busca de Especialistas

A despeito da panacéia que se formou em torno do  termo “sustentabilidade”, o setor de construção civil parece ter voltado suas atenções para o tema de forma séria. A comunidade científica, que estuda a questão climática e as causas do aquecimento global, aponta o setor como um dos grandes contribuintes das emissões de carbono na atmosfera. O foco da discussão, que antes só tratava de fontes alternativas de geração de energia da matriz energética mundial, passou a considerar a outra ponta do processo: o consumo da energia e dos demais recursos nas grandes cidades. E neste ponto, a construção civil gera passivos enormes, desde sua cadeia de suprimentos até a operação e manutenção dos empreendimentos gerados. Residem no setor grandes chances de redução das emissões causadoras do aquecimento global.

Recentemente, instalou-se no Brasil pelo menos três grandes fóruns de especialistas em construção sustentável, em busca de parâmetros de eco-eficiência no setor. O Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, o Green Building Council e o Procel – Programa de Eficiência Energética da Eletrobrás, são organizações que refletem a recente preocupação com os impactos ambientais causados pela indústria da construção civil.

As principais construtoras de empreendimentos imobiliários, mercado em franca expansão, facilitado pelo crédito e pela demanda reprimida, vêm incorporando os conceitos e práticas sustentáveis em seus lançamentos, tornando quase uma obrigação itens como o reaproveitamento de água de chuva, o aquecimento de água por energia solar direta, a coleta seletiva, a reciclagem de óleo comestível e a aplicação de materiais construtivos ecológicos. Suas propagandas tentam atingir o conceito de “consumo sustentável” e “manutenção barata”, atribuindo aos seus produtos valores relacionados à responsabilidade ambiental e ao baixo custo de manutenção, o que interessa diretamente ao consumidor final.

A pergunta que fazemos é: existe profissional qualificado para atender a necessidade de toda a cadeia produtiva do setor? Certamente que não. O mercado já está em busca de competências na área e há poucas opções de especialização e literatura neste campo do conhecimento. Não me refiro à área da gestão ambiental generalista, mas sim às mais recentes práticas de gestão sustentável na construção civil que inclui conhecimentos em consumo responsável, estudo da cadeia sustentável dos suprimentos, eficiência energética, eficiência hidráulica, conforto ambiental, materiais alternativos, sistemas de certificação de edificações verdes, manutenção de baixo custo, legislação específica entre outros.

Se há um gargalo na oferta de mão-de-obra qualificada para atender a atual demanda do setor em geral, há um mais estreito ainda em oferta de pessoal especializado em construção sustentável. O debate sobre o tema está apenas começando e se eu fosse você, engenheiro, arquiteto ou técnico, me debruçaria já neste universo de conhecimento da construção civil e da gestão, para garantir um lugar ao sol (até porque ele é a maior fonte de energia!).


Rodrigo Machado é arquiteto e Assessor- Chefe da Assessoria de Marketing e Comunicação do Crea-RJ

 

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